O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu à PF (Polícia Federal), nesta terça-feira (20), que solicite ao STF (Supremo Tribunal Federal) a quebra dos sigilos bancário e fiscal do senador Flávio Bolsonaro (PL), de seu escritório de advocacia, do advogado Willer Tomaz e de empresas vinculadas à Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.
Na notícia de fato, o parlamentar também requer o bloqueio de contas, aplicações financeiras e bens dos envolvidos no Brasil e uma cooperação com autoridades portuguesas para localizar e bloquear ativos da holding naquele país.
Procurada pela coluna, a equipe jurídica de Flávio Bolsonaro afirma que “somente nesta eleição, o deputado Lindbergh Farias já apresentou mais de vinte requerimentos à PF —cujo diretor-geral foi indicado pelo presidente Lula— pedindo a abertura de investigação contra o Senador, sempre a partir de notícias de imprensa. Não se trata de apuração legítima, mas de estratégia eleitoral para converter a investigação criminal em instrumento de desgaste político.”
A nota enviada à coluna diz ainda que “o próprio deputado já é processado, no STF, por denunciação caluniosa em razão de condutas dessa natureza contra o Senador —padrão em que se insere a representação ora noticiada.”
Lindbergh pede ainda acesso aos registros de visitas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, ao gabinete de Flávio desde o início do mandato, em 2019. O objetivo é cruzar eventuais encontros com as movimentações financeiras investigadas.
O documento questiona o sigilo de cem anos imposto pelo Senado em 2025 à divulgação dos registros de entrada do lobista. Afirma ainda que, em fevereiro de 2026, o Senado negou pedidos de acesso aos registros de Daniel Vorcaro.
O pedido cita reportagem do UOL segundo a qual o escritório do senador emitiu 62 notas fiscais que somam ao menos R$ 13,7 milhões entre janeiro de 2023 e julho de 2026. A maior parte descrevia os serviços como “assessoria jurídica”.
Segundo a representação, uma conta indicada para receber pagamentos do escritório estava vinculada ao sistema de gerenciamento bancário da Alcazar Holdings, cujo único sócio formal é Willer Tomaz. A vinculação foi desfeita em 22 de maio de 2025, cerca de um mês após a deflagração da Operação Sem Desconto, que apura fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS.
Lindbergh também cita relações da holding com operações envolvendo o Banco Master e sua participação na propriedade de um jato utilizado pelo senador e pelo advogado. Pede o rastreamento dos recursos e a identificação dos beneficiários das operações para apurar possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, falsidade ideológica e organização criminosa.
com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS





