Anvisa intensifica cerco a canetas emagrecedoras do Paraguai e veta marca recém-anunciada

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A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tem reagido à expansão do mercado de canetas emagrecedoras provenientes do Paraguai e vetou, na última terça-feira (5), a importação de um produto que estava em fase de lançamento.

O Slimex foi a sétima versão proibida de tirzepatida, que é o mesmo princípio ativo do Mounjaro, da Eli Lilly. Com a medida, nenhum emagrecedor registrado pela Dinavisa, a agência reguladora paraguaia, pode entrar no Brasil.

O veto mais recente se deu na semana em que o Slimex começará a ser vendido nas farmácias, segundo publicações nas redes sociais de lojas do Paraguai e de influenciadores digitais.

Autoridades que acompanham a reação da Anvisa dizem que há monitoramento de redes sociais para se antecipar e barrar produtos ainda em lançamento. A agência também decide os vetos a partir das informações que recebe de órgãos que atuam nas fronteiras.

Desde janeiro, as decisões da Anvisa atingiram as marcas Lipoless, Tirzec, Tirzedral, T.G., Lipoland, Gluconex e Slimex.

As medidas tomadas pela Anvisa determinam a apreensão dos produtos, além da proibição da venda, distribuição, importação e uso. Os documentos afirmam que os remédios são fabricados por empresas desconhecidas e que as restrições se aplicam a quaisquer pessoas e empresas e veículos de comunicação que comercializam ou divulgam os emagrecedores.

A venda de medicamento sem registro da Anvisa é proibida, mas há margem para a importação para uso pessoal. No caso do Paraguai, a agência decidiu barrar essa alternativa por causa do aumento da circulação de produtos comprados e revendidos irregularmente.

“Localizamos uma série de produtos importados, até transportados em roda de carro. Então este tipo de situação não é para consumo pessoal”, disse o presidente da Anvisa, Leandro Safatle, no fim de abril à Folha.

A atuação da Anvisa mira um mercado paralelo ao dos medicamentos certificados pela agência brasileira, que são conhecidos por marcas como Ozempic (semaglutida, da Novo Nordisk), Mounjaro (tirzepatida, da Eli Lilly) e que tem dois produtos da farmacêutica nacional EMS contendo liraglutida.

A agência também avalia novas regras sobre a venda de emagrecedores de farmácias de manipulação do Brasil. As discussões se dão em meio à explosão do consumo para fins estéticos e a investigações da Polícia Federal sobre farmácias que fabricam em larga escala e sem controle de qualidade adequado.

As chamadas canetas emagrecedoras são medicamentos agonistas de GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo corpo humano que atua no controle dos níveis de glicose no sangue e nos mecanismos de saciedade.

A venda dos produtos no Paraguai é impulsionada por influenciadores digitais brasileiros e por ações de marketing das empresas locais, que têm feito lançamentos luxuosos de novas versões de tirzepatida.

O laboratório paraguaio Catedral apresentou o Tirzedral no fim de março, em evento com show do cantor Zé Felipe e voltado ao público brasileiro —o nome foi “Noite Vermelha”. Dias mais tarde a Anvisa vetou a importação da droga.

O Slimex é fabricado pelo laboratório Eticos. Em fevereiro, a mesma empresa anunciou, em cerimônia com personalidades brasileiras, que deseja lançar o ReduFast, contendo retratutida. A substância ainda está em estudo pela Lilly e não tem registro de nenhuma agência sanitária.

As restrições impostas pela Anvisa são criticadas por parte dos consumidores e dos representantes do mundo político, sob argumento de que o tratamento vendido no país vizinho é mais barato.

O deputado Mario Heringer (PDT-MG) apresentou projeto pela quebra de patente dos emagrecedores e defende a compra dos produtos do Paraguai. O deputado Fausto Pinato (União Brasil-SP) protocolou outro texto para derrubar os vetos da agência aos medicamentos do país vizinho.

Mercado irregular

O volume de canetas irregulares em circulação no Brasil é incerto, mas dados oficiais sinalizam alta no consumo. A Receita Federal diz que apreendeu 32,8 mil unidades de emagrecedores em 2025 ante 2.700 no ano anterior.

Nos últimos seis meses ainda foram importados 130 kg de tirzepatida, suficientes para produção de mais de 25 milhões de doses em farmácias de manipulação, segundo a Anvisa.

Em abril, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), fez um alerta nas redes sociais sobre canetas falsas.

A Anvisa e a PF também assinaram acordo prevendo que os produtos apreendidos serão analisados para verificar quais substâncias realmente estão presentes.

“As principais irregularidades que têm sido verificadas no mercado são o contrabando de canetas sem registro no Brasil e a manipulação de produtos em condições inadequadas, inclusive com riscos de contaminação e perda de efeito. Medicamentos irregulares também não têm garantia de composição, pureza, qualidade e conservação”, diz a Anvisa.

noticia por : UOL