Desastre investigado em ação contra empresa do vice de Wellington deixou 70% da cidade sem água

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DO REPÓRTERMT

A mortandade de peixes que deu origem a uma ação ambiental contra a Suinobras Alimentos levou à suspensão preventiva da captação responsável pelo abastecimento de aproximadamente 70% da população urbana de Alto Paraguai.

A interrupção ocorreu em março de 2019, depois que peixes de diferentes espécies começaram a aparecer mortos no Rio Paraguai e em cursos d’água que integram a bacia do Alto Paraguai.

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A Suinobras é presidida por Reinaldo Gomes de Morais, conhecido como “Rei do Porco” e candidato a vice-governador na chapa de Wellington Fagundes (PL).

Os primeiros relatos de peixes mortos surgiram no dia 16 de março. No dia seguinte, diante do risco de contaminação, a captação de água utilizada pela maior parte da população da cidade foi suspensa preventivamente.

A medida atingiu o sistema responsável por atender cerca de 70% dos moradores da área urbana. Naquele momento, análises indicaram que a água não atendia aos parâmetros destinados à captação para consumo e à balneabilidade.

Foram encontrados exemplares de piau, piraputanga, lambari, acari, dourado, bagre, traíra e cachara mortos.

SISTEMA DE TRATAMENTO EM COLAPSO

A investigação passou a analisar a possível contribuição do sistema de tratamento de resíduos da Suinobras para a mortandade.

Relatórios da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) registraram biodigestores colapsados, estruturas danificadas, tubulações com vazamentos e efluentes provenientes da criação de porcos escorrendo sobre o solo.

As fotografias anexadas ao processo também mostram vegetação seca ou queimada nas proximidades dos pontos onde foram identificados extravasamentos.

As amostras do efluente bruto da granja apresentaram altas concentrações de fósforo total, nitrogênio amoniacal, demanda bioquímica de oxigênio e demanda química de oxigênio.

Esses resíduos, quando chegam a cursos d’água sem o tratamento adequado, podem consumir o oxigênio disponível e provocar a morte de peixes e de outros organismos aquáticos.

As análises também identificaram concentração de sulfeto entre três e sete vezes acima do limite permitido.

Um relatório posterior do Ministério Público considerou possível estabelecer uma relação entre o colapso do sistema da Suinobras e a mortandade registrada na região.

O mesmo documento, entretanto, reconheceu que o episódio não poderia ser atribuído a uma única causa. Os técnicos também consideraram a influência de chuvas intensas, das atividades agrícolas desenvolvidas na região e de outros fatores ambientais.

AÇÃO DE R$ 2,86 BILHÕES

A Suinobras é ré em uma ação civil pública ambiental de R$ 2,86 bilhões proposta pelo Ministério Público de Mato Grosso e em tramitação na 1ª Vara Cível de Diamantino.

O valor corresponde à estimativa apresentada pelo MPMT para a recuperação dos serviços ambientais e do patrimônio natural que teriam sido prejudicados. A cifra não representa multa aplicada nem condenação definitiva.

A empresa nega que seus efluentes tenham alcançado os cursos d’água e contesta qualquer relação entre suas atividades e a mortandade. A Suinobras sustenta que os problemas encontrados foram pontuais, posteriormente corrigidos, e que outros fatores provocaram o episódio.

FONTE : ReporterMT