
Avalanche no Nepal e Tibete: o que se sabe sobre a tragédia
Equipes de resgate entraram no segundo dia de buscas nesta quarta-feira (26) por mais de 1.000 pessoas desaparecidas após uma avalanche de água, gelo, lama e rochas atingir uma região montanhosa na fronteira entre o Nepal e a China.
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Até a última atualização desta reportagem, as autoridades confirmavam 165 mortos: 162 no Nepal e três na China. Além disso, 468 turistas estão desaparecidos no território nepalês, a maioria deles estrangeiros. No Tibete, há ainda 558 desaparecidos.
Vilarejos inteiros foram arrastados pela força da avalanche, que também destruiu casas, estradas, pontes e uma usina hidrelétrica. Imagens registradas na região mostram pessoas tentando fugir enquanto uma enorme onda de lama, água e sedimentos avança sobre prédios e veículos.
No Nepal, moradores das regiões atingidas se reuniram em frente a uma base do Exército, usada como centro das operações de resgate, em busca de informações sobre parentes desaparecidos.
“Era uma enorme onda de lama vindo diretamente em nossa direção. À medida que se aproximava, ela ficava cada vez mais alta. Quando vi a lama entrando em casa, tentei segurar a mão da minha mulher e levá-la para o terraço. Mas ela foi arrastada”, contou Keshav Prasad Baral, sobrevivente de 68 anos.
“Quatro ou cinco horas depois, um helicóptero veio me resgatar. Minha mulher ainda está em algum lugar debaixo da lama. Ela se foi.”
Em alguns pontos, helicópteros conseguiram retirar sobreviventes. Em outros, porém, as condições dificultaram o pouso das aeronaves.
“Há destruição por todos os lados”, disse à Reuters Tula Bahadur BK, profissional de saúde na região de Rasuwa. “Os assentamentos próximos ao rio foram completamente arrastados. Cinco dos meus próprios parentes estão desaparecidos.”
‘Dominó’
Imagens de drone mostram propriedades cobertas de lama após uma enchente repentina em Trishuli, distrito de Nuwakot, Nepal, em 27 de agosto de 2026
Navesh Chitrakar/Reuters
A principal hipótese é que o desastre tenha começado com o colapso de uma geleira na montanha Langtang Lirung, que tem mais de 7 mil metros de altura.
Inicialmente, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) apontou um terremoto na região no momento da tragédia. Mais tarde, porém, o órgão esclareceu que o tremor foi provocado pelo próprio colapso da geleira.
Autoridades e especialistas ainda investigam as causas do desastre, mas a hipótese mais provável é de um efeito cascata na região após a queda da geleira.
Depois do deslizamento, a avalanche desceu pela parte mais alta da montanha, arrastando rochas, gelo e água armazenada em reservatórios naturais.
Depois, todo esse volume chegou ao canal do rio Lhende Khola.
A enchente provocada pela avalanche avançou sobre áreas povoadas.
O site NepalNews, citando a Divisão de Previsão de Enchentes do país, informou que o desastre provocou um aumento repentino de cerca de 20 milhões de metros cúbicos de água na bacia hidrográfica da região.
Segundo a imprensa local, a enchente percorreu cerca de 168 quilômetros, derrubou 70 pontes e danificou mais de 40 quilômetros de estradas.
Tragédia no Nepal
Arte/g1
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Fonte: G1




