Especialistas em eleições dizem que, apesar da retórica, as investidas do governo têm sido contidas e não mudaram a rotina de quem organiza a votação. “Tem havido muita encenação. Acho que, em geral, as autoridades eleitorais estão ignorando isso. Elas têm eleições para organizar”, afirmou Lawrence Norden, do Brennan Center for Justice, da Universidade de Nova York.
Mesmo assim, autoridades estaduais relatam que passaram a se preparar para cenários de interferência federal. “Tivemos de descobrir como lidar com algum nível de talvez interferência de autoridades federais. Acho que nunca tivemos de pensar nisso antes e não necessariamente espero que aconteça, mas agora seria tolice não pensar ao menos em alguns cenários”, disse Deidre Henderson, vice-governadora republicana de Utah, em painel na Universidade George Washington.
Monitores federais e pressão por medidas mais duras
Defensores de direitos civis temem que um programa do Departamento de Justiça, criado para monitorar seções eleitorais, seja usado para atrapalhar a votação. O texto cita o caso das primárias de Wyoming, em agosto, quando monitores tentaram entrevistar eleitores e examinar máquinas, o que levou o governador Mark Gordon a classificar a atuação como “agressiva” e “disruptiva”.
O Departamento de Justiça planeja ampliar a presença de monitores para cerca de mil agentes em todos os 50 estados. Kristen Clarke, diretora jurídica da N.A.A.C.P., uma organização ligada a direitos civis nos EUA, afirmou que “esta administração deixou claro que pretende perturbar e interferir na forma como as eleições são conduzidas”.
O procurador-geral Todd Blanche defendeu a iniciativa e disse que o objetivo é fiscalizar o cumprimento da lei federal. Em entrevista à Fox News, ele afirmou que os monitores “estão garantindo que a lei federal seja aplicada de forma apropriada”.
noticia por : UOL


