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quarta-feira, outubro 21, 2026
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O inimigo mora em casa

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O inimigo mora em casa

Faltam 40 dias para acabar o Campeonato Brasileiro. A disputa pelo título é a de sempre, mas a briga contra o rebaixamento coloca Grêmio, Internacional e Corinthians tentando a salvação. Com Remo e Chapecoense muito perto da Série B, restam duas vagas e a trinca de grandes é quem está mais perto da queda. No futebol, assim como na vida, o desespero, o improviso e o medo costumam levar às piores decisões. Uma pessoa normalmente se afoga porque se apavora, não porque não sabe nadar.

A dupla gaúcha sabe nadar pouco, é verdade. O Grêmio não conseguiu vencer duas partidas seguidas em nenhuma oportunidade. Nos últimos dez jogos, só venceu um —a Chapecoense. Renato Gaúcho foi chamado para gerar uma maior conexão no time e explorar melhor as qualidades dos jogadores. O que se vê é um técnico que parece mais um comentarista de bancada, atirando contra seus comandados e a diretoria. Ou Renato não se importa com o impacto negativo que suas declarações podem trazer, ou aposta no caos para gerar alguma resposta dos jogadores.

O Internacional venceu dois jogos nas últimas 15 rodadas, contra Chapecoense e Corinthians. Também trocou de técnico, mas a resposta dentro de campo é muito limitada. O artilheiro da equipe no campeonato é Carbonero, com sete gols. O elenco tem um teto baixo e não encontra uma boia de salvação. Viveu um bom momento entre a 7ª e a 16ª rodadas, quando conseguiu 19 pontos em dez jogos. Nas outras 21 rodadas, somou outros 13 pontos.

Por fim, temos o Corinthians na briga. O time fazia um campeonato regular até se despistar com a Libertadores da América. Perdeu oito jogos consecutivos até empatar com o Vitória no início desta semana. Neste meio tempo, encerrou negociações com Memphis e depois renovou seu contrato. Trouxe Clarence Seedorf, sem treinar há sete anos, para comandar o time nos últimos jogos do ano. Uma aposta do diretor Marcelo Paz, demitido uma semana depois.

O vaivém de decisões do Corinthians, o temperamento autodestrutivo de Renato Gaúcho e a limitação técnica do Inter jogam os três para a beira do abismo, lutando apenas para permanecer na primeira divisão. É provável que dois dos três acabem fora da elite no ano que vem, muito mais porque internamente tinham inimigos maiores que os adversários do Brasileirão.

O Vasco ainda ronda a zona de rebaixamento, com um desempenho melhor que seus concorrentes nos últimos jogos e ainda com um jogo a menos, contra a Chapecoense, para se afastar das últimas posições.

Mirassol, Coritiba e Vitória, com orçamentos muito mais modestos, são nadadores com menos músculos que os grandes, mas que sabem que depois de uma braçada vem outra braçada e que é preciso respirar entre elas. Vivem seus bons e maus momentos, mas não se desesperam, seguem o plano e têm melhores chances de se manter na primeira divisão.

Existe uma luta ponto a ponto contra o rebaixamento. E existem, ao mesmo tempo, as lutas internas de quem não sabe o que está fazendo, então muda de direção a cada mudança de lua.

“Jogar futebol é simples, mas jogar futebol simples é a coisa mais difícil que há.” A frase é de Johan Cruyff e serve para todos. O que não é nada simples é a situação de Corinthians, Internacional e Grêmio. E por culpa deles.


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noticia por : UOL

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