O modelo Bukele chegou à Colômbia?

0

Até pouco tempo atrás, o presidente salvadorenho Nayib Bukele parecia uma anomalia na política latino-americana. Hoje, parece ser o precursor de um estilo de liderança que ganha terreno e começa a se replicar na região. Chegou a vez da Colômbia com a vitória de Abelardo de la Espriella.

De la Espriella, que foi batizado como “o tigre” por seus seguidores, fez uma campanha incomum, agressiva em suas mensagens e com um tom festivo e popular, altamente digital e distante dos meios de comunicação tradicionais. Esta campanha compartilhou elementos com a tendência política inaugurada pelo presidente Donald Trump nos Estados Unidos e adaptada por políticos de diferentes países da América Latina, que poderia ser definida como uma nova direita.

Esta nova direita compartilha traços comuns: lideranças personalistas; comunicação direta com os cidadãos por meio das redes sociais; desconfiança em relação aos partidos; prioridade à segurança e à ordem pública; uma narrativa contra as elites e a promessa de resultados imediatos.

As chaves do sucesso do “tigre”

O sucesso de Abelardo explica-se, por um lado, pelos escassos resultados do governo de esquerda, além de seu desafio à democracia colombiana sob a promessa de mudar a Constituição. Por outro lado, pelo ambiente político internacional de rupturas institucionais, confronto político e reação contra a esquerda política e movimentos como o woke.

Enquanto Petro aumentou impostos e regulamentações sobre o setor produtivo, dialogava com grupos armados criminosos e ameaçava mudar a Constituição colombiana, Abelardo apostava tudo na redução dos gastos e do tamanho do Estado, no retorno a uma política militar ofensiva e na defesa da Constituição Política. Enquanto Petro manteve uma proximidade incomum com a ditadura de Maduro durante o tempo em que esteve no poder, De la Espriella prometeu se tornar o maior aliado dos EUA na região.