Início VARIEDADES O modelo Bukele chegou à Colômbia?

O modelo Bukele chegou à Colômbia?

Até pouco tempo atrás, o presidente salvadorenho Nayib Bukele parecia uma anomalia na política latino-americana. Hoje, parece ser o precursor de um estilo de liderança que ganha terreno e começa a se replicar na região. Chegou a vez da Colômbia com a vitória de Abelardo de la Espriella.

De la Espriella, que foi batizado como “o tigre” por seus seguidores, fez uma campanha incomum, agressiva em suas mensagens e com um tom festivo e popular, altamente digital e distante dos meios de comunicação tradicionais. Esta campanha compartilhou elementos com a tendência política inaugurada pelo presidente Donald Trump nos Estados Unidos e adaptada por políticos de diferentes países da América Latina, que poderia ser definida como uma nova direita.

Esta nova direita compartilha traços comuns: lideranças personalistas; comunicação direta com os cidadãos por meio das redes sociais; desconfiança em relação aos partidos; prioridade à segurança e à ordem pública; uma narrativa contra as elites e a promessa de resultados imediatos.

As chaves do sucesso do “tigre”

O sucesso de Abelardo explica-se, por um lado, pelos escassos resultados do governo de esquerda, além de seu desafio à democracia colombiana sob a promessa de mudar a Constituição. Por outro lado, pelo ambiente político internacional de rupturas institucionais, confronto político e reação contra a esquerda política e movimentos como o woke.

Enquanto Petro aumentou impostos e regulamentações sobre o setor produtivo, dialogava com grupos armados criminosos e ameaçava mudar a Constituição colombiana, Abelardo apostava tudo na redução dos gastos e do tamanho do Estado, no retorno a uma política militar ofensiva e na defesa da Constituição Política. Enquanto Petro manteve uma proximidade incomum com a ditadura de Maduro durante o tempo em que esteve no poder, De la Espriella prometeu se tornar o maior aliado dos EUA na região.

Surgiu na América Latina uma nova direita política, mais decidida em suas posições, menos partidária e com a promessa de governar diretamente, sem a necessidade de intermediários.

A fulminante carreira política do “tigre” é produto de uma reação ao radicalismo do governo de Petro. Mais do que uma oposição no Congresso, faltava ao presidente de esquerda colombiano uma contraparte que equilibrasse o peso do discurso. Abelardo leu essa situação com faro certeiro e, em questão de um ano, posicionou-se como a nêmesis do presidente colombiano.

Outro fator essencial para a vitória de Abelardo foi a situação da segurança na Colômbia. À medida que a campanha avançava, a insegurança no país se deteriorava. O aumento de grupos armados ilegais, o cultivo de hectares de folha de coca e a produção de cocaína atingiram níveis historicamente altos. No meio desta situação, o governo colombiano empenhou-se em uma política denominada “Paz Total”, que consistia em negociar simultaneamente com todos os grupos armados ilegais do país. A “paz total” fracassou. Em uma recente investigação especial, o Financial Times afirmou que a Colômbia passava por um período de “boom da cocaína”.

A sombra de Trump

No plano geopolítico, o governo do presidente Trump aumentou suas ações militares no Caribe contra narcotraficantes e agiu com contundência contra o regime de Maduro. A administração republicana defende que, para evitar mais migração irregular e a entrada de drogas em seu território, é necessário agir nos locais de origem desses problemas; portanto, sua estratégia tem se concentrado na América do Sul e não exclusivamente nas ruas de suas cidades.

Para poder agir com a determinação que Trump anunciou, é necessário ter aliados e, assim, políticos como De la Espriella, Noboa, Milei e Bukele ganham maior relevância. A coincidência ideológica entre a administração republicana e essas novas lideranças latino-americanas cria condições favoráveis para ações conjuntas em segurança, narcotráfico e migração.

Com sua vitória, Abelardo, assim como outros políticos da região, está provocando uma ruptura no establishment público. Fala-se no nascimento de uma nova direita política, mais decidida em suas posições, menos partidária e com a promessa de governar diretamente, sem a necessidade de intermediários.

Mudança de era

Na Colômbia, as expectativas são altas em relação ao novo governo do “tigre”. Para seus seguidores, há a esperança da derrota da criminalidade, do fluxo de grandes investimentos e de um Estado menor e mais austero. Para seus opositores, a decisão de evitar que ele consiga governar com eficácia.

Em todo caso, estamos diante de uma mudança de era, na qual a moderação e o diálogo parecem ser tendências do passado, na qual os algoritmos determinam votos e os ventos de mudança da Europa e dos Estados Unidos chegam com mais força à América Latina. Uma nova era em que não se premiam mais os melhores programas de governo, mas sim quem promete dar resultados imediatos. O laboratório dessa mudança foi El Salvador, parece que o experimento teve sucesso e começa a se replicar. Será duradouro?

©2026 Aceprensa. Publicado com permissão. Original em espanhol: ¿Llegó el modelo Bukele a Colombia?.

noticia por : Gazeta do Povo

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