Juiz marca audiência sobre nomeação de filhos de desembargador no TJMT; cobrança já chega a R$ 481 mil

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VINÍCIUS ANTÔNIO

DO REPÓRTERMT

O juiz Bruno D’Oliveira Marques marcou para o dia 16 de julho a audiência da ação em que o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) cobra a devolução de valores que teriam causado prejuízo aos cofres públicos com a nomeação dos filhos do falecido desembargador José Jurandir de Lima para cargos no Tribunal de Justiça (TJMT). A ação envolve José Jurandir de Lima Júnior, Tássia Fabiana Barbosa de Lima e Tânia Regina Borges Barbosa de Lima.

Na decisão, assinada nessa quinta-feira (28), o magistrado afirmou que não há acordo formalizado entre as partes, apenas uma proposta apresentada pela defesa e rejeitada pelo Ministério Público. Diante disso, determinou o prosseguimento do processo e marcou audiência para ouvir testemunhas e os investigados.

A ação teve início em 2011, após o Ministério Público apontar que Tássia Fabiana Barbosa de Lima e o irmão dela, Bráulio Estefânio Barbosa de Lima, já falecido, teriam sido nomeados para cargos comissionados no gabinete do pai sem exercer efetivamente as funções.

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Segundo a investigação, Tássia foi nomeada como digitadora entre 2003 e 2006, período em que morava em São Paulo e cursava Comunicação Social na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Já Bráulio ocupou cargos de agente de segurança e oficial de gabinete entre 2001 e 2006, mas cursava Medicina em período integral em Cuiabá, o que, para o Ministério Público, tornava incompatível o exercício das funções no TJMT.

O Ministério Público calcula que o prejuízo original aos cofres públicos foi de R$ 159.866,17. Desse total, cerca de R$ 30,6 mil seriam referentes aos salários pagos a Tássia Fabiana e R$ 129,2 mil relativos aos valores recebidos por Bráulio Estefânio.

A acusação sustenta que o então desembargador José Jurandir de Lima teria agido de forma dolosa ao beneficiar os filhos com recursos públicos.

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Durante o andamento da ação, parte dos valores passou a ser devolvida ainda em vida pelo próprio desembargador. Documentos encaminhados pelo Tribunal de Justiça mostram que foram realizados descontos diretamente no salário dele a partir de março de 2010.

Ao todo, foram pagas 23 parcelas, sendo 22 de R$ 900 e uma última de R$ 259,43, totalizando aproximadamente R$ 20 mil em ressarcimento relacionado aos valores atribuídos a Tássia Fabiana Barbosa de Lima.

O Ministério Público reconheceu no processo a devolução parcial dos valores cobrados.

A defesa da família, no entanto, argumenta que os pagamentos realizados pelo desembargador quitariam integralmente a parte atribuída a Tássia. Os herdeiros também defenderam um cálculo menor da dívida, sustentando que o valor restante seria de aproximadamente R$ 180,8 mil.

Além disso, pediram que a quantia fosse compensada com supostos créditos que a família teria a receber do Tribunal de Justiça.

O Ministério Público rejeitou a proposta. O órgão afirmou que a forma de correção monetária utilizada pela defesa não recompõe corretamente o dano aos cofres públicos e apresentou relatório técnico atualizado apontando que, mesmo após os descontos realizados, ainda haveria um débito de R$ 481.460,31 a ser devolvido.

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FONTE : ReporterMT