Parlamentares republicanos também anunciaram que iniciaram uma investigação no Congresso sobre Harvard, acusando a instituição de violar leis de igualdade. O governo norte-americano tem atacado há várias semanas as universidades mais prestigiadas do país, acusando-as de permitir que o antissemitismo prosperasse durante os movimentos estudantis contra a guerra em Gaza, o que as universidades refutam.
“Tenho medo”
“Tenho medo, como todo mundo. Não ouso mais falar, não ouso criticar o presidente por medo de que meu status de residente permanente nos Estados Unidos seja revogado”, diz Gabriella*, estudante de psicologia na Universidade de Houston-Downtown, no Texas. Ela tem 21 anos e passou 20 anos nos EUA, mas ainda não possui a nacionalidade norte-americana, pois nasceu na Guatemala. Ela tem em mente os milhares de estudantes estrangeiros que, nas últimas semanas, tiveram seus vistos revogados. Apenas no Texas, eles são centenas.
A imprensa norte-americana tem amplamente noticiado casos de estudantes detidos e ameaçados de expulsão por organizarem ou participarem de manifestações pró-Palestina nos campi. A administração Trump transformou isso em uma questão de segurança nacional. “Os estudantes envolvidos nos movimentos pró-palestinos se tornaram alvos. Os serviços de imigração os levam e os fazem desaparecer. Uma amiga minha teve seu visto revogado e foi condenada ao que eu chamaria de exílio político”, confidencia Sofia*, estudante paquistanesa entrevistada pela RFI durante uma manifestação anti-Trump em Austin.
Mas em muitos casos, os motivos são ainda mais superficiais. Naina*, estudante indiana de 26 anos, chegou aos EUA há quatro anos. Após concluir um mestrado em engenharia mecânica, trabalhava há dois anos para uma empresa norte-americana na região de Dallas, conforme autorizado por seu visto. “Há dez dias, recebi uma ligação da minha universidade me informando que meu visto foi revogado, o que significa que meu visto de trabalho também foi cancelado”, relata ela na cafeteria de um supermercado indiano.
“Não sei por quê, não recebi explicação. Tudo o que me disseram foi que estava relacionado a uma atividade criminosa”, diz. Desde então, a jovem tenta descobrir o que poderia ter feito de errado. “Tive um acidente de carro no ano passado, ninguém se feriu, mas houve danos materiais e fui multada em US$ 80 porque meu licenciamento estava vencido. Tive excessos de velocidade e uma condenação por um delito menor, mas a menção deveria ser apagada do meu registro após um curso de educação cívica”, garante.
noticia por : UOL




