Vínculos com Lula, Flávio Bolsonaro e Cláudio Castro marcam debate entre candidatos no RJ

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O vínculo com o presidente Lula (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência, e o ex-governador Cláudio Castro (PL) marcou o debate entre os postulantes ao Governo do Rio de Janeiro nesta terça-feira (29) promovido pela TV Globo.

O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) foi cobrado por não divulgar o apoio do petista. O presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Douglas Ruas (PL), por sua vez, citou Flávio a todo momento para se vincular ao senador, de olho nos votos bolsonaristas. Foi, contudo, cobrado por sua ligação com Castro.

As falas reproduziram as estratégias adotadas desde o início da campanha, em agosto. Enquanto Paes busca associar Ruas ao desgastado Castro, o candidato do PL quer atrair os votos de bolsonaristas se apresentando como um representante de Flávio no estado em que a maioria pretende votar no senador.

Em sua primeira fala, Ruas citou duas vezes Flávio Bolsonaro ao fazer um questionamento sobre transporte para Eduardo Paes e promessas antigas de conclusão da linha 3 do metrô, que ligaria São Gonçalo ao centro do Rio de Janeiro.

“Sei que ele [Paes] não gosta do Flávio Bolsonaro, mas nessas horas é preciso deixar a política de lado para pensar nas pessoas”, disse o candidato do PL.

Em sua resposta, o ex-prefeito descreveu Ruas como o “reserva do Rodrigo Bacellar“, em referência ao ex-presidente da Alerj preso sob acusação de vazar informação de uma operação policial que mirava um outro membro da Assembleia ligado ao Comando Vermelho. Também buscou vinculá-lo a Castro.

“Acabou de falar o secretário das Cidades do Cláudio Castro, que é o reserva do Rodrigo Bacellar. Substituiu o Rodrigo Bacellar na presidencia da Alerj e também na candidatura do governo do estado porque foi preso por ligação com o Comando Vermelho”, disse o candidato do PSD.

O presidente da Assembleia também defendeu o senador das críticas do vereador William Siri (PSOL), que chamou Flávio de “miliciano bandido que quer ser presidente do nosso país”. “Você é jovem, não entra nessa. Não se iguale ao Eduardo Paes e à velha política.”

Na interação com o candidato do PSOL, que declarou orgulho ao apoiar Lula, Ruas cobrou Paes por evitar a exposição da aliança com o petista.

“Que bom que você assume o Lula. Mas tem gente que recebe o Lula e nem posta na rede social. O Eduardo Paes tem o Lula e cisma em esconder”, disse o candidato do PL.

Paes repetiu que não pretende terceirizar a responsabilidade sobre seu governo.

“Por que não fico com esse papo deles de Bolsonaro, de Lula? Porque aqui tem um governador que quer cuidar do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro precisa ser prioridade. O que vimos acontecer ao longo dos tempos, principalmente desde 2018, foi esse mesmo roteiro. O candidato Wilson Witzel se apresentava como o cara do Bolsonaro e renovação da política. Deu no que deu. O Cláudio Castro, a mesma coisa. Você acha que é a renovação sendo o reserva oficial do Rodrigo Bacellar?”, questionou o ex-prefeito ao candidato do PL.

Paes, contudo, foi cobrado até pelo empresário André Marinho (Novo) por suas trocas de posicionamentos políticos. Ele mencionou os acenos do ex-prefeito ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2018, quando disputou o governo estadual com Witzel.

“Lembro que ligou gaguejante suplicando pelo apoio de Jair Bolsonaro prestes a tomar a surra que acabou tomando”, disse Marinho.

O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) atacou tanto Ruas como Paes. Ele chamou a Alerj, comandada pelo candidato do PL, de superintendência do crime organizado e “a maior quadrilha do Rio de Janeiro”. Contra o ex-prefeito, mencionou aliados citados na lista apreendida com o bicheiro Adilson Coutinho Oliveira Filho, conhecido como Adilsinho.

Ao mesmo tempo, o ex-governador foi chamado de “fiscal retroativo do estado” e “Léo Dias da política” por Marinho.

Um dos momentos de maior tensão envolveu a menção por Ruas da investigação arquivada contra o deputado Pedro Paulo (PSD), candidato ao Senado, sob suspeita de agressão à ex-mulher. De frente a Paes com o dedo em riste, o presidente da Alerj questionou a inclusão do aliado na chapa.

“Não basta fazer discurso. É importante que dê o exemplo. Você apresentou como capitão do seu time o Pedro Paulo, um agressor de mulheres”, questionou Ruas.

Da plateia, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), chamou o presidente da Alerj de mentiroso.

Paes respondeu que o inquérito contra o aliado foi arquivado e acusou o irmão do presidente da Alerj de agredir a mulher.

noticia por : UOL