Trecho histórico da ferrovia Oeste de Minas passa à gestão de associação de preservação

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Depois de ter passado as últimas três décadas sob gestão privada, o trecho da Estrada de Ferro Oeste de Minas entre as cidades históricas de São João del-Rei e Tiradentes, em Minas Gerais, será administrado por uma associação de preservação ferroviária a partir da próxima semana.

A operação desde 1996 estava concedida à FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), que a administrava com a VLI. Este final de semana é o último da empresa de logística à frente do trem entre os importantes municípios mineiros.

A partir de quinta-feira (1), a ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária), principal associação de preservação do país, passará a comandar a icônica rota, inaugurada em 1881 por dom Pedro 2º (1825-1891).

A Oeste de Minas foi uma rota ferroviária que surgiu oito anos antes da Proclamação da República. A maria-fumaça percorre somente uma parte dela, de pouco mais de 12 quilômetros, numa paisagem que contempla pontos como a serra de São José e o rio das Mortes, que margeia os trilhos.

Segundo a ABPF, o ponto alto da viagem é a ponte sobre o rio Elvas, que fica na divisa entre as duas cidades e é a mais extensa do trecho, com 57 m.

O trecho é histórico não só por ter sido inaugurado por dom Pedro 2º, mas também por abrigar um conjunto ferroviário tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) desde 1989 e que contempla uma estação de 1881, as oficinas, abertas no ano seguinte, e a rotunda, de 1892, já com o Brasil na fase republicana.

A rotunda é uma construção em formato circular cujas linhas convergem para um girador localizado ao centro e que abriga locomotivas a vapor (maria-fumaça) e elétricas, carros de passageiros e vagões, abertos à visitação. São, no total, dez locomotivas enfileiradas.

A Oeste de Minas foi uma companhia ferroviária com vida muito breve. Endividada, ela foi liquidada somente 19 anos depois da sua criação, em 1900, e adquirida pelo governo federal três anos depois.

Em 1931, foi arrendada pelo governo mineiro e passou a fazer parte da também extinta RMV (Rede Mineira de Viação).

A concessionária informou à coluna somente que oficialmente permanecerá como operadora do trem turístico até quarta-feira (30), quando será substituída pela ABPF, e que segue acompanhando todas as etapas até a transição completa das operações.

Neste final de semana, equipes da ABPF atuavam nos preparativos para as novas operações. A prioridade é cuidar do material operacional e, posteriormente, de locomotivas que hoje estão paradas.

O trem parte das duas estações às sextas-feiras, sábados e domingos. De São João del-Rei, às 10h, nos três dias, e 14h, às sextas e sábados. A partir de Tiradentes, as viagens ocorrem às 11h30, também nos três dias, e 15h30 (sextas e sábados).


São João del-Rei a Tiradentes (MG)

Trecho percorrido: 12 km

Preços (a partir de 1/10): de R$ 80 a R$ 110 (inteira, por trecho, conforme a classe do carro de passageiros); estudantes, pessoas acima de 60 anos e pessoas com deficiência param meia; PCDs têm direito a um acompanhante, quando necessário. Crianças até cinco anos viajando no colo não pagam e moradores das duas cidades pagam R$ 40

Atrações: maria-fumaça mais antiga do país, diversidade ecológica e arquitetura do século 19


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noticia por : UOL