Terapeuta é condenado por torturar pacientes em clínica: 'amarrava e batia'

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O terapeuta ocupacional Victor Estanislau de Araújo, 33, foi condenado em segunda instância a uma pena de 15 anos de prisão sob acusação de ter torturado pacientes da clínica Moryah, de recuperação de usuários de drogas e álcool, em Mauá, na Grande São Paulo. Além disso, foi punido com mais sete meses e seis dias de detenção, em regime semiaberto, por crime de constrangimento ilegal.

De acordo com a denúncia feita pelo Ministério Público, o terapeuta espancou, dopou e algemou pacientes, entre os quais uma idosa, porque eles choravam de saudades da família e/ou desobedeciam às suas ordens. Também teria obrigado outros internos a agredir as vítimas. Uma delas morreu em decorrência da violência.

Segundo os pacientes disseram à Justiça, todos os dias Victor batia em alguém. Ele costumava se aproximar com um facão e fazia riscos nas paredes em ameaça. Usava também um revólver e uma arma de choque como meios de intimidação. Era comum amarrar as pessoas em cadeiras e distribuir socos e chutes. Também as trancava em quartos escuros, como castigo, deixando-as sem comida ou acesso a banheiro.

O caso mais grave, segundo a ação, ocorreu quando uma das vítimas gritava e batia na porta, pedindo para sair do quarto. Diante disso, irritado, Victor foi até lá e o agrediu com um pedaço de madeira, quebrando seu braço, de acordo com as testemunhas. Depois, ainda usou um facão para fazer cortes em seu braço. Por fim, teria obrigado outros internos a espancá-lo. Agredida de 1h até 4h da madrugada, a vítima acabou morrendo.

Francisco Lucena Maia, proprietário da clínica Moryah, também foi condenado, recebendo uma pena de dois anos, sete meses e 15 dias de prisão, em regime semiaberto.

“Ficou amplamente demonstrado que Francisco tinha ciência de tudo o que ocorria na clínica, uma vez que frequentava o local todos os dias nos períodos matutino e vespertino, via os internos machucados e recebia deles as informações do que havia ocorrido”, afirmou o desembargador Nelson Fonseca Júnior, relator do processo.

Os réus ainda podem recorrer.

Victor, que está preso no Centro de Detenção Provisória de Mauá, afirmou à Justiça que nunca torturou ou agrediu alguém na clínica. Afirmou que entrou no estabelecimento como funcionário, mas que teve uma recaída no seu vício em álcool e que passou a receber tratamento de graça. Em troca, disse, tinha de prestar apoio.

Ele declarou que era “submisso ao proprietário”. “Estão falando que tudo era eu”, afirmou à Justiça, ressaltando que não agrediu o paciente que morreu e tampouco obrigou alguém a espancá-lo.

“Nunca agredi ninguém lá dentro. Não batia em pessoas com lateral de facão. Não dava banho gelado nos meninos. Não ministrava remédios para ninguém”, declarou. “Quem bateu foram os meninos que eram os monitores. Eles eram responsáveis pela contenção.”

Francisco Maia disse que nunca soube que havia torturas ou agressões na clínica e que jamais notou nenhuma lesão nos corpos das vítimas. Disse que abriu a clínica após quase perder um filho para o mundo das drogas, e que não imaginava que Victor era “tão cruel” com os pacientes.

Segundo a defesa, Francisco é um empreendedor, “homem de múltiplos negócios”, que não tinha como saber o que acontecia no dia a dia da clínica, uma vez que Victor era o terapeuta responsável.

A defesa disse à Justiça que não há nenhuma menção direta ou indireta nos depoimentos que relacione o proprietário às agressões. “As menções sobre agressões são sempre da parte de Victor”, afirmou no processo.

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noticia por : UOL