Senador eleito mais jovem da história é antigo aliado do bolsonarismo e defendeu voto impresso

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Fruto da geração bolsonarista que surgiu na política com a ascensão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Filipe Barros (PL-PR), 35, foi eleito ao Senado pelo Paraná no domingo (4) e será o mais jovem senador da história do país, ao menos desde o início do século 20, período em que há registros detalhados.

Defensor vocal da discussão sobre o voto impresso, Barros teve 3,1 milhões de votos. A eleição, se foi positiva para a direita brasileira, teve resultados ainda mais significativos no Paraná.

O companheiro de coligação de Barros, Deltan Dallagnol (Novo), foi o outro eleito para o Senado — a candidatura ainda será julgada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Sérgio Moro (PL) foi eleito governador no primeiro turno, com 50,10% dos votos válidos. Com a ida de Moro ao Executivo, a vaga dele no Senado será ocupada pelo advogado Luis Felipe Cunha (PL).

A Constituição de 1998 determina 35 anos como idade mínima para senador. Barros terá 35 anos e dez meses quando tomar posse, em fevereiro de 2027, superando em idade o senador Irajá Abreu (PSD-TO), que tomou posse com 35 anos e 11 meses, em 2019.

Também será mais jovem do que outros figurões da Velha República, como Nilo Peçanha, senador aos 36 anos —e presidente aos 41.

A reportagem pediu entrevista aos assessores de Filipe Barros entre quarta-feira (7) e sexta-feira (9). A assessoria afirmou que ele poderia conceder entrevista, mas não houve contato nem resposta às perguntas enviadas.

“Um dos problemas que tivemos no estado nos últimos 30 anos foi a falta de entendimento entre os dois senadores com o governador e o presidente da República. Nesse momento teremos 3 senadores alinhados com Sergio Moro. É uma força que o Paraná nunca teve. E se Deus quiser, Flávio Bolsonaro será presidente da República”, afirmou o senador eleito a jornalistas no domingo (4).

O senador eleito fala em debater o Judiciário e defende impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Filipe Barros foi membro do MBL (Movimento Brasil Livre) e ganhou notoriedade local nos estertores do mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), quando liderou movimento intitulado “Quarta Reaça”.

Ele fazia vídeos interpelando deputados de oposição e participando, como voz contrária, de debates contra o impeachment de Dilma na UEL (Universidade Estadual de Londrina), onde se formou em direito.

Foi eleito vereador em Londrina em 2016 e deputado federal em 2018, no primeiro arrastão bolsonarista.

Em 2022, Barros foi apontado pela Polícia Federal como responsável por vazar ao então presidente Jair Bolsonaro (PL) um inquérito sobre investigação de ataque ao sistema do TSE. Não foi indiciado.

No mesmo ano, participou de reunião comandada por Bolsonaro com teor golpista. O ex-presidente ordenou na ocasião que seus auxiliares repetissem falas, sem provas, sobre fraude nas urnas eletrônicas. Barros participou como relator da PEC (proposta de emenda à Constituição) do voto impresso, proposta derrotada na Câmara dos Deputados.

Políticos alinhados com o bolsonarismo consideram que Barros é um dos quadros com melhor leitura sobre a comunicação por meio das redes sociais. Mantém proximidade com os filhos de Bolsonaro.

Pouco antes de o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, anunciar a primeira leva de tarifaço ao Brasil, em abril do ano passado, Filipe Barros assumiu a comissão de Relações Exteriores da Câmara, após o então deputado Eduardo Bolsonaro anunciar que permaneceria nos Estados Unidos — o filho do ex-presidente era o preferido do PL para a vaga. Barros e Eduardo são próximos.

O princpial item votado na primeira sessão à frente da comissão foi uma moção de louvor a Eduardo.

Barros propôs um projeto de lei em 2024 para aumentar o limite de cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de R$ 250.000 para R$ 1 milhão, o que beneficiaria o modelo de fundos do banco Master, de Daniel Vorcaro. Emenda semelhante foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Na época, defendeu que o projeto previa suporte ao pequeno e médio investidor para resguardá-los em eventual crise bancária. Ele retirou o texto após questionamentos. Depois, Barros pautou requerimentos na Comissão de Relações Exteriores para discutir o mercado financeiro com representantes da CVM (Comissão de Valores Monetários) e Banco Central.

Os movimentos de Barros, já na crise que levaria o ex-banqueiro Daniel Vorcaro à prisão, foi alvo da base governista, especialmente de adversários locais como Gleisi Hoffmann (PT). Candidata ao Senado, a deputada federal terminou em quarto.

noticia por : UOL