O objetivo de Trump é militarizar o combate ao crime organizado na região

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O objetivo de Trump é militarizar o combate ao crime organizado na região

Janaína Figueiredo

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O objetivo principal de Trump é militarizar o combate ao crime organizado; não há dúvida sobre isso. Para isso, o Tiar, assinado em 1947 e que funciona dentro da OEA, foi tirado da gaveta, embora tenha sido criado para enfrentar ameaças externas de forma coletiva —sempre que essa ameaça não seja tratada no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O acordo não foi desenhado para responder a ameaças por parte de atores não estatais. Essa é a novidade do encontro de Trump com seus aliados latino-americanos em Nova York.

Como os EUA avançarão a partir de agora? O governo americano pedirá que o Tiar, que tem 19 países membros, seja ativado. O termo diplomático é uma “convocação de consultas”. O tema será tratado pelo Conselho Permanente da OEA, e são necessários apenas dez votos para que o pedido americano obtenha sinal verde.

Uma vez que o Tiar for ativado, as decisões adotadas dentro do tratado precisarão de 13 votos (dois terços) para serem aprovadas. Não será um problema para os EUA, já que 12 dos 19 membros do tratado integram o Escudo das Américas. Conseguir mais um voto será simples, provavelmente apelando para mecanismos de pressão que já se tornaram costumeiros na organização.

A OEA tem 32 membros ativos, e nem todos integram o Tiar. O Canadá nunca fez parte do tratado, o México o denunciou há alguns anos —o que na prática implica sair do acordo—, e Equador e Bolívia não são membros.

Trump avançará em sua política de segurança hemisférica usando o Escudo das Américas e instrumentos da OEA ao mesmo tempo. Por que o Tiar? Muito simples: porque o tratado é o único instrumento dentro da organização que menciona o uso da força militar.

O artigo 8º do Tiar prevê, em caso de uma ameaça externa, ações como a retirada dos chefes de missões diplomáticas, a ruptura das relações diplomáticas e consulares, a interrupção parcial ou total das relações econômicas ou das comunicações ferroviárias, marítimas, aéreas, postais, telegráficas, telefônicas, radiotelefônicas ou radiocomunicações e, finalmente, o uso da força armada.

noticia por : UOL