Meta tem lucro abaixo do esperado no 2º tri e reduz previsão de vendas

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As ações da Meta caíram nesta quarta-feira (29) após a empresa reportar lucros abaixo do esperado, enquanto o CEO Mark Zuckerberg continua com a custosa aposta para levar sua empresa ao topo do mercado de inteligência artificial.

O grupo projetou receitas entre US$ 61 bilhões (R$ 312,2 bi) e US$ 64 bilhões (R$ 327,5 bi) no trimestre atual, com um ponto médio abaixo das estimativas dos analistas de US$ 63,1 bilhões (R$ 322,9 bi). As vendas cresceram 28% para US$ 60,8 bilhões (R$ 311,1 bi) no segundo trimestre, ligeiramente acima das estimativas dos analistas de US$ 60,2 bilhões (R$ 308 bi).

O lucro líquido encolheu 14% para US$ 15,8 bilhões (R$ 80,8 bi), bem abaixo das estimativas dos analistas de US$ 18,5 bilhões (R$ 94,6 bi), já que custos e despesas saltaram 55% para US$ 42 bilhões (R$ 214,9 bi).

O fluxo de caixa livre no período caiu 91% em relação ao ano anterior, para US$ 784 milhões, ante US$ 8,5 bilhões, impulsionado pelos gastos colossais em IA. As ações caíram cerca de 10% nas negociações após o fechamento do mercado, com perspectiva de eliminar US$ 150 bilhões do valor de mercado da empresa, já que os resultados fracos reforçaram os temores dos investidores sobre se a onda de gastos de Zuckerberg em IA vai compensar.

O CEO disse aos analistas nesta quarta que a Meta estava “em um ponto em que nossos investimentos em IA estão acelerando cada parte importante do nosso negócio principal”, apontando para melhorias em seus sistemas de publicidade e recomendação de conteúdo.

O desempenho financeiro da Meta tem sido observado de perto enquanto Zuckerberg compete com rivais na corrida bilionária para construir infraestrutura de IA, sem contar com o negócio de computação em nuvem que aluga esses data centers.

A empresa está investindo bilhões de dólares na construção de uma rede de data centers e na contratação dos melhores talentos em IA. Em abril, a Meta elevou sua previsão de investimentos de capital para 2026 para entre US$ 125 bilhões (R$ 639,7 bi) e US$ 145 bilhões (R$ 742 bi), acima da faixa anterior de US$ 115 bilhões (R$ 588,5 bi) a US$ 135 bilhões (R$ 690,1 bi).

O grupo ajustou essa faixa anual nesta quarta para entre US$ 130 bilhões (R$ 665,3 bi) e US$ 145 bilhões.

A empresa também elevou o limite inferior de sua projeção de despesas, citando US$ 2,4 bilhões (R$ 12,2 bi) em encargos relacionados a processos judiciais reconhecidos no segundo trimestre, com as despesas totais de 2026 agora projetadas entre US$ 165 bilhões (R$ 844,4 bi) e US$ 169 bilhões (R$ 864,9 bi).

Depois que os modelos Llama ficaram para trás em relação à OpenAI, Anthropic e Google no ano passado, Zuckerberg reformulou completamente a abordagem de IA da Meta, pagando centenas de milhões de dólares por talentos de ponta em uma nova equipe, a TBD Lab, sob o comando de Alexandr Wang, fundador da Scale AI.

Nos últimos meses, a TBD lançou várias versões de seu novo modelo, o Muse Spark, amplamente considerado promissor. Apesar da onda de gastos, no entanto, os modelos ainda ficam atrás de rivais como OpenAI e Google em algumas capacidades.

Zuckerberg está apostando que o investimento em IA trará retorno ao impulsionar o negócio de publicidade da Meta ou gerar novas fontes de receita. A empresa começou a testar novas estratégias de monetização em seus aplicativos, como assinaturas para recursos mais avançados ou tarefas complexas de IA.

Recentemente, Wall Street recebeu bem as revelações de que a empresa planeja lançar seu próprio negócio de computação em nuvem, que venderia qualquer capacidade computacional excedente.

noticia por : UOL