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Mato Grosso já soma 31 feminicídios em 2026; quatro mulheres foram mortas em agosto

VANESSA MORENO

DO REPÓRTERMT

Mato Grosso já soma 31 mulheres vítimas de feminicídio em 2026. Quatro delas foram mortas na segunda semana de agosto, em crimes marcados pela violência dentro de relações afetivas e familiares. Os casos mais recentes aconteceram em Vila Bela da Santíssima Trindade (a 522 km de Cuiabá), Poconé (a 105 km de Cuiabá) e Cuiabá.

Os números do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), mostram que, até agora, junho foi o mês mais violento do ano, com sete feminicídios. Março aparece logo atrás, com seis.

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Maio registrou quatro mortes. Janeiro e abril tiveram três vítimas cada. Já fevereiro e julho contabilizaram duas ocorrências cada.

Quatro mulheres mortas na mesma semana

Em agosto, a primeira vítima foi Sirley Pereira Gomes, de 42 anos. Ela foi assassinada a tiros no domingo (9), em uma fazenda na região conhecida como Cambará, na zona rural de Vila Bela da Santíssima Trindade.

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Segundo as investigações da Polícia Civil, Sirley foi morta pelo marido, Diogo Tavares, de 42 anos, durante uma discussão. Os filhos do casal, de 10 e 14 anos, estavam no local.

Depois do crime, Diogo fugiu e permaneceu escondido em uma região de mata. Ele foi localizado e preso na quarta-feira (12).

De acordo com o relato do filho mais velho da vítima, de 17 anos, o casal já tinha histórico de violência doméstica. Sirley, porém, nunca havia denunciado o marido à polícia.

Quatro dias depois, outras duas mulheres foram assassinadas. Maria Helena do Carmo, de 51 anos, e a prima dela, Cleidineia Eucaris da Costa, de 46, foram mortas a facadas e pauladas durante a madrugada de quinta-feira (13), no distrito de Cangas, em Poconé.

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O autor foi identificado como José Correa de Miranda, ex-marido de Maria Helena. Após os crimes, ele se entregou à Polícia Militar.

Segundo o boletim de ocorrência, Maria Helena fazia uma pequena confraternização em casa para comemorar o aniversário de seu irmão e de Cleidineia, quando José chegou armado com uma faca. O irmão da vítima tentou impedir as agressões e acabou atingido por vários golpes.

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Nesse sábado (15), Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, foi assassinada com um tiro na nuca pelo namorado Fabiano Oliveira Borges, no bairro Alvorada, em Cuiabá. O crime foi cometido na frente do filho de três anos da vítima. O feminicida está foragido.

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Cuiabá concentra mais casos

Cuiabá aparece no topo da lista dos municípios com mais feminicídios em 2026, com cinco vítimas.

Várzea Grande e Vila Bela da Santíssima Trindade aparecem na sequência, com três casos cada. Tangará da Serra e Poconé registram dois.

Outros 16 municípios contabilizaram uma morte cada: Tapurah, Sinop, São José do Xingu, Rondonópolis, Poxoréu, Porto dos Gaúchos, Nova Maringá, Nova Bandeirantes, Lucas do Rio Verde, Itaúba, Guarantã do Norte, Confresa, Chapada dos Guimarães, Castanheira, Brasnorte e Aripuanã.

A distribuição dos crimes ao longo da semana também chama atenção. Nove mulheres foram assassinadas aos domingos, seis às segundas-feiras, quatro às terças, seis às quintas, duas às sextas e três aos sábados. Não há registro informado para quarta-feira.

Facas e outras armas

A arma cortante ou perfurante foi o principal meio utilizado nos feminicídios registrados neste ano. Ao todo, 14 mulheres foram mortas dessa forma.

Outras seis vítimas morreram por estrangulamento ou asfixia, enquanto seis foram assassinadas com arma de fogo.

O levantamento aponta ainda dois casos provocados por instrumento contundente, dois por atropelamento e um por espancamento.

Entre as motivações identificadas estão o menosprezo ou a discriminação à condição feminina, ciúmes, sentimento de posse ou machismo, separação ou tentativa de rompimento, além de discussões e problemas financeiros.

A maioria não havia denunciado

Um dos dados mais preocupantes do levantamento é que, na maioria dos casos, não havia uma denúncia formal contra o agressor.

Das 30 vítimas analisadas, 23 não tinham registrado boletim de ocorrência contra o autor. Em 28 casos, também não havia medida protetiva.

Os números mostram que o feminicídio muitas vezes acontece sem que os casos de violência doméstica cheguem ao conhecimento da Justiça ou da polícia.

Os feminicídios registrados neste ano já deixaram 41 órfãos em Mato Grosso.

2025 terminou com 54 feminicídios

O cenário de 2026 ocorre depois de um ano que registrou um número elevado de mulheres assassinadas.

Em 2025, 54 mulheres foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso, segundo os dados do Observatório Caliandra. Foi o segundo maior número dos últimos sete anos.

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Assim como em 2026, junho foi o mês mais violento daquele ano, com dez feminicídios.

O recorde da série histórica ocorreu em 2020, primeiro ano da pandemia da Covid-19 no Brasil, quando 62 mulheres foram assassinadas em Mato Grosso.

Os dados do Observatório Caliandra são atualizados com frequência, com base nos registros das forças de segurança do Estado.

Denuncie

A violência contra a mulher não pode ser ignorada nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas, e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital.

Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.

O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.

FONTE : ReporterMT

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