Licença-paternidade maior amplia presença do pai e pode mudar dinâmica familiar

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Diante desse cenário, ele assumiu as tarefas cotidianas e buscou oferecer suporte prático e emocional, entendendo que não havia uma separação de funções. “Era um momento de cuidar, proteger e estar presente”, reforça. “Quando você entende isso e acolhe, se torna mais próximo como marido. Entender que é o momento de dar espaço como homem, no sentido sexual, por conta de tudo o que ela está passando te une e transforma o seu amor”, diz.

Depois de alguns anos, Renato mudou a relação que tinha com o trabalho por causa da paternidade. Depois de perder uma apresentação importante da filha na escola, pediu demissão do emprego e seguiu como autônomo para ter mais tempo com a criança. “Ali eu decidi mudar minha vida. Troquei uma carreira de 25 anos e me tornei empreendedor, isso me dá mais dor de cabeça, mas me dá mais tempo com elas, e isso no final gratifica”, frisa.

50 dias em casa

A experiência de Victor Bocciadi, 44 anos, reforça o impacto do tempo disponível nos primeiros meses após o nascimento. Engenheiro e pai de duas meninas, ele teve direito a 20 dias de licença-paternidade nas duas ocasiões, mas conseguiu estender a permanência em casa ao emendar o período com as férias, chegando a cerca de 50 dias, no nascimento da segunda filha, que agora tem seis meses de idade.

Segundo ele, o afastamento foi decisivo para participar da adaptação da família à nova rotina e oferecer suporte à esposa, especialmente após a segunda gestação, que exigiu a recuperação de uma cesariana. Durante esse período, assumiu tarefas da casa e cuidados com as filhas, como dar banho, trocar fraldas e acompanhar a filha mais velha na rotina diária.

Victor avalia que o tempo ampliado permitiu acompanhar fases mais exigentes do bebê, como episódios de cólica e mudanças no sono, o que também impacta a dinâmica da casa. Para ele, a presença do pai ajuda a reduzir a sobrecarga materna e contribui para a construção do vínculo desde o início. “Se pudesse chegar a 60 dias de licença, seria o ideal. São os meses mais complexos”, diz.

noticia por : UOL