Um tribunal dos Estados Unidos suspendeu nesta quarta-feira (30) a execução da única mulher no corredor da morte no Tennessee em mais de 200 anos, pouco antes de ela ser submetida à injeção letal.
No último minuto, o Tribunal de Apelações do Sexto Distrito emitiu uma ordem para suspender a execução de Christa Pike, até segunda ordem.
Pike foi condenada pelo assassinato de uma colega de escola há três décadas. Seu pedido de clemência —que destacava traumas de infância e abusos sexuais— foi negado pelo governador Bill Lee.
Hoje ela tem 50 anos. Em janeiro de 1995, Pike, com 18 anos, seu namorado de 17 anos e a uma terceira pessoa atraíram Colleen Slemmer, 19, colega no centro de formação profissional Job Corps de Knoxville, para uma área de mata, onde a torturaram e a mataram.
A natureza macabra do assassinato —no qual os autores entalharam o formato de um pentagrama no peito da vítima— recebeu ampla cobertura da imprensa na época. Depoimentos no julgamento indicaram que Pike via Slemmer como uma rival pelo afeto de seu namorado, Tadaryl Shipp.
Ambos confessaram o assassinato e foram condenados no ano seguinte por homicídio em primeiro grau. Pike recebeu a pena de morte, enquanto Shipp foi condenado à prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional.
Pike também foi condenada, em agosto de 2001, por tentativa de homicídio em primeiro grau após agredir outra detenta, segundo o Departamento de Administração Penitenciária do Tennessee.
Em uma petição de 226 páginas que pedia ao governador a comutação da pena de morte para prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, seus advogados documentaram seu histórico como vítima, na infância, de violência, negligência e abuso sexual, incluindo dois estupros, aos 11 e aos 17 anos.
A defesa também citou os diagnósticos de transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático que ela recebeu na prisão.
Seus advogados também apontaram evidências de que a mãe de Pike consumiu álcool em excesso durante a gravidez, o que contribuiu para falhas no desenvolvimento cerebral que dificultavam à cliente controlar seus impulsos quando jovem.
“A jovem de 18 anos que sofria de doença mental grave e de traumas quase incapacitantes não existe mais”, escreveram seus advogados em resposta à negativa de clemência de Lee.
“Christa é uma mulher de 50 anos, arrependida, que compreende seus atos, recebe tratamento adequado para sua doença mental e oferece apoio e orientação a outras mulheres encarceradas.”
A mãe de Slemmer, a vítima, manifestou-se a favor da execução.
Execuções de mulheres presas são extremamente raras nos Estados Unidos. Elas representam apenas 18 das 1.683 pessoas executadas desde que a Suprema Corte autorizou a retomada da pena de morte, em 1976, segundo o Centro de Informações sobre a Pena de Morte. Antes desta quarta-feira, o Tennessee havia executado 17 pessoas.
O caso de Pike atraiu atenção internacional, e um grupo de especialistas em direitos humanos das Nações Unidas divulgou recentemente uma declaração pedindo a comutação de sua pena de morte.
Especialistas em violência sexual e trauma também se pronunciaram em sua defesa, argumentando que os procedimentos relacionados à injeção letal provavelmente fariam Pike reviver lembranças intensas e traumáticas do abuso sexual e dos estupros sofridos na infância, aumentando a crueldade e a angústia de sua morte.
Em maio, autoridades penitenciárias do Tennessee interromperam as tentativas de executar um homem condenado por homicídios depois de não conseguirem encontrar uma veia adequada para a aplicação da injeção letal.
noticia por : UOL



