VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
O juiz Guilherme Leite Roriz, da 1ª Vara de Peixoto de Azevedo (a 673 km de Cuiabá), determinou o envio para Sinop do processo que envolve o médico Bruno Gemilaki Dal Poz, a mãe dele, a empresária Inês Gemilaki, e o cunhado dela, Eder Gonçalves Rodrigues.
Eles são acusados de invadir uma festa de aniversário e matar os idosos Pilson Pereira da Silva, de 69 anos, e Rui Luiz Bogo, de 81, além de tentar matar o padre José Roberto Domingos e o garimpeiro Enerci Afonso Lavall, que, segundo as investigações, era o verdadeiro alvo do trio.
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O crime aconteceu em abril de 2024, em Peixoto de Azevedo.
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A transferência ocorre após a Turma de Câmaras Criminais Reunidas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) julgar procedente o pedido de desaforamento, ou seja, a mudança do local do julgamento, feito pela defesa de Bruno e determinar que a sessão do Tribunal do Júri seja realizado fora da cidade onde ocorreu o crime.
Em decisão proferida no dia 13 de agosto, o magistrado afirmou que, diante do julgamento favorável ao desaforamento, os autos deveriam ser enviados à Comarca de Sinop para que sejam adotadas as providências necessárias à designação da sessão do Tribunal do Júri.
“Tendo em vista o julgamento procedente do pedido de desaforamento, determino a remessa dos autos à Comarca de Sinop/MT, para as providências necessárias à designação da sessão plenária”, diz a decisão.
No pedido de desaforamento, a defesa alegou que a forte repercussão do caso teria provocado comoção social e animosidade contra os réus, comprometendo a imparcialidade dos jurados.
O advogado citou manifestações hostis nas redes sociais, uma suposta “condenação antecipada” pela opinião pública e a influência do padre José Roberto Domingos, uma das vítimas, que seria uma figura de forte importância religiosa e social na cidade.
A defesa também apontou vínculos familiares e sociais entre vítimas e moradores, alegou que o padre teria feito manifestações contra os acusados e sustentou que a estrutura de segurança de Peixoto seria insuficiente para garantir a tranquilidade do júri.
Apesar de rejeitar a alegação de falta de estrutura de segurança no município, o TJ reconheceu a dúvida sobre a imparcialidade dos jurados.
A data do julgamento ainda não foi agendada.
O crime
O crime aconteceu em 21 de abril de 2024, durante uma confraternização de aniversário na casa do garimpeiro Enerci Afonso Lavall, em Peixoto de Azevedo. Conforme a acusação, Bruno e Inês foram ao imóvel armados e efetuaram disparos contra as pessoas que estavam no local.
Os tiros mataram Pilson Pereira da Silva, de 69 anos, e Rui Luiz Bogo, de 81.
O padre José Roberto Domingos também foi atingido, mas sobreviveu. Enerci, apontado pelas investigações como alvo principal do ataque, também estava entre as pessoas atingidas pelos disparos.
Eder Gonçalves Rodrigues, cunhado de Inês, teria aguardado os dois do lado de fora em uma caminhonete Ford Ranger.
A investigação apontou que o ataque estaria relacionado a uma dívida de aluguel entre Inês e Enerci.
Segundo as apurações, ela teria morado por mais de um ano em um imóvel do garimpeiro e deixado débitos e danos no local.
A cobrança chegou a ser discutida em processo judicial.
O trio responde por dois homicídios qualificados e duas tentativas de homicídio qualificado.
FONTE : ReporterMT





