Joana Guimarães, 68, ex-reitora da UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia), é a nova integrante do conselho editorial do RUF (Ranking Universitário Folha).
O grupo é formado por oito especialistas com experiência em avaliação acadêmica e analisa a metodologia, propõe aprimoramentos e sugere enfoques para reportagens do especial publicado anualmente pelo jornal.
Primeira mulher negra eleita reitora de uma universidade federal no Brasil, a geóloga dirigiu a UFSB de junho de 2018 a maio de 2026.
Sob a perspectiva da gestão acadêmica, ela diz que rankings como o da Folha são instrumentos importantes para fornecer diagnóstico das instituições e estimular não só administradores, mas também docentes e alunos, a buscar melhorias.
Como conselheira, Joana espera colaborar com a proposição de formas de aferir e integrar aos critérios do RUF ações que as universidades desenvolvem e que possam ir além dos indicadores já avaliados (pesquisa, ensino, mercado, internacionalização e inovação).
Um exemplo são projetos de extensão que promovem troca de conhecimentos com o público externo, como empresas e povos indígenas e quilombolas.
“Outro aspecto importante é pensar na questão das ações afirmativas: como a universidade lida com o público que não chegava antes e está chegando hoje? Quais ações a universidade desenvolve para que esses estudantes possam avançar no curso?”, afirma a ex-reitora.
Conselho editorial
- Adolfo-Ignacio Calderón
- Carlos Henrique de Brito Cruz
- Guilherme Ary Plonski
- Helena Sampaio
- Joana Guimarães
- Ronaldo Mota
- Sabine Righetti
- Soraya S. Smaili
Filha de trabalhadores rurais, Joana nasceu em Itajuípe (BA) e foi a primeira da família a entrar na universidade.
“A experiência de vida, da dificuldade enfrentada na infância e na adolescência, dá um olhar diferente, porque, por mais que uma pessoa que nunca viveu essas coisas seja comprometida e se preocupe, viver é bem diferente de ter empatia com quem viveu”, diz.
“Minha contribuição pode ir um pouco nessa linha, de pensar em como o contexto implica para a universidade e no que as instituições têm hoje que faz com que precisemos olhar para a permanência de coletivos que não tinham oportunidade de estar nesse ambiente“, acrescenta a ex-reitora.
Joana assume a vaga antes ocupada por Klaus Capelle, 57, professor titular da UFABC (Universidade Federal do ABC) e coordenador de atividades educacionais do Instituto Internacional de Física da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), onde atua para identificar e incentivar alunos com interesse e talentos excepcionais para a ciência.
“Fiquei muito contente em ver o nome da Joana como sucessora. Eu a conheço há muitos anos, porque meu mandato na reitoria da UFABC [2014-2018] coincidiu por vários anos com o dela como vice-reitora da UFSB [2013-2018]. Tenho certeza que ela fará contribuições muito relevantes ao RUF”, diz.
Membro desde a formação do conselho, em 2018, mas leitor do RUF desde a estreia, em 2012, o físico alemão testemunhou os processos de consolidação, aprimoramento e reconhecimento do ranking ao longo do tempo e defende a importância de listas nacionais, como a da Folha, como ferramentas complementares às avaliações internacionais.
“O sistema acadêmico e político brasileiro tem tantas especificidades na forma como as universidades são financiadas, escolhem seus alunos e contratam seus professores e em quais são as missões atribuídas a elas que essa riqueza toda só pode ser retratada corretamente usando rankings nacionais, e o RUF tem exercido esse papel com excelência.”
Klaus destaca que, embora tenham passado por ajustes, os alicerces e conceitos básicos do RUF permanecem estáveis desde a primeira edição.
Para o professor, a estabilidade demonstra a boa concepção do projeto e permite que o uso do ranking vá além das análises transversais (comparações de instituições em um ano específico).
“Tendo uma metodologia que, mesmo com pequenas modificações, se mantém constante em sua essência por mais de uma década, podemos fazer análises longitudinais. O banco de dados gerado sobre centenas de instituições, com milhares de informações individuais sobre elas ao longo dos anos, é um tesouro para identificar padrões”, afirma.
Tal tesouro, diz, ainda é pouco explorado. O físico deixa o conselho editorial para reorganizar compromissos profissionais, mas afirma que continuará a acompanhar o ranking como leitor.
“Espero que a dinâmica de sempre fazer pequenos ajustes e lapidar a metodologia continue, mas, ao mesmo tempo, o RUF não precisa e não deveria buscar uma revolução dos conceitos. Uma mudança muito grande colocaria em risco o potencial para análises longitudinais, então espero ver uma evolução gradual.”
Conheça os membros do conselho editorial do RUF
O RUF (Ranking Universitário Folha) conta com um conselho editorial que analisa os critérios adotados, sugere mudanças na metodologia e enfoques para as reportagens. São oito especialistas, todos com experiência em avaliação acadêmica.
Adolfo-Ignacio Calderón, 57
Professor do programa de pós-graduação em educação da PUC-Campinas, bolsista produtividade do CNPq e diretor financeiro da Abave (Associação Brasileira de Avaliação Educacional). Desde 2014, com financiamento do CNPq, pesquisa, publica artigos e livros e forma mestres e doutores em torno da temática dos rankings acadêmicos e governança universitária.
Carlos Henrique de Brito Cruz, 69
Vice-presidente sênior de redes de pesquisa da Elsevier e professor emérito da Unicamp, da qual foi reitor. É membro da Academia Brasileira de Ciências, da Academia Mundial de Ciências e da Academia de Ciências do Estado de São Paulo. É co-chair, na ONU, do Comitê de 10-Membros para Facilitar Conexão entre Ciência e Tecnologia e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Foi presidente e diretor científico da Fapesp.
Guilherme Ary Plonski, 77
Professor sênior da USP, é coordenador de projetos na Fundação Instituto de Administração, membro titular da Academia de Ciências do Estado de São Paulo e pesquisador-emérito do CNPq. Foi diretor do Instituto de Estudos Avançados, diretor superintendente do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e presidente da Anprotec.
Helena Sampaio, 64
Professora livre-docente da Faculdade de Educação da Unicamp. Integra a coordenação da área de ciências sociais da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e é editora-chefe da revista Pro-Posições, da Unicamp. Foi secretária nacional de Regulação e Supervisão da Educação Superior do Ministério da Educação.
Joana Guimarães, 68
Ex-reitora da UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia), é a mais nova integrante do conselho editorial do RUF. Primeira mulher negra eleita reitora de uma universidade federal no Brasil, a geóloga dirigiu a UFSB de junho de 2018 a maio de 2026. Filha de trabalhadores rurais, Joana nasceu em Itajuípe (BA) e foi a primeira da família a entrar na universidade.
Ronaldo Mota, 70
Titular da cátedra em inteligência artificial e pesquisador visitante emérito pela Faperj (Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro) no Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ, membro da Comissão de Assuntos Estratégicos do BNDES e professor titular de física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria.
Sabine Righetti, 44
Jornalista e doutora em política científica. É pesquisadora no Labjor-Unicamp e assessora da coordenadoria geral da Fapesp. Organizou o RUF de 2012 a 2019; em 2020, fundou a Agência Bori de divulgação de ciência para jornalistas.
Soraya S. Smaili, 62
Professora titular da Escola Paulista de Medicina e coordenadora do SoU_Ciência (Centro Sociedade, Universidade e Ciência) da Unifesp, vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e membro da Academia de Ciências do Estado de São Paulo. Foi reitora da Unifesp entre 2013 e 2021.
noticia por : UOL




