Indicação de embaixador sem aval do Brasil é nova grosseria de Trump e Rubio

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Depois de deixar a embaixada americana em Brasília sem titular por mais de um ano, Donald Trump indicou o deputado estadual Daniel Perez para o cargo. Perez tem 38 anos, faz política na Flórida e, como o secretário de Estado Marco Rubio, é filho de cubanos.

Num tempo de relações crispadas, Trump e Rubio fizeram mais uma grosseria. Anunciaram a indicação de Perez antes que o governo brasileiro lhe tivesse concedido o agrément. É uma formalidade, mas desrespeitá-la sinaliza má vontade.

Nos anos 60 do século passado, o presidente francês Charles de Gaulle, abespinhado com João Goulart, engavetou o pedido de agrément para o embaixador Vasco Leitão da Cunha, a quem havia conhecido na África, durante a guerra. O governo brasileiro havia divulgado a indicação sem avisar ao francês. Vasco acabou mandado para Moscou.

A encrenca se repetiu em 2022, com a Argentina. O então embaixador, o empresário Daniel Scioli, foi nomeado ministro de Desenvolvimento e deixou o posto. Durou 47 dias no novo cargo. No dia de sua demissão, a Casa Rosada anunciou que ele voltaria para a embaixada em Brasília. Fizeram isso sem consultar o Itamaraty.

Os presidentes sequer se falavam. O então chanceler Carlos Alberto França não quis jogar gasolina na fogueira e sugeriu a Bolsonaro que relevasse a grosseria e Scioli voltou.

O mundo paralelo de Lula

Na semana passada Lula referiu-se ao “sucesso da minha visita ao Trump”.

Se ele acredita nisso, as relações do Brasil com os Estados Unidos passarão por novas turbulências.

É o Itamaraty quem informa, os EUA mostraram a faca antes que se esgotasse prazo combinado na bem sucedida visita de Lula a Trump.

Imoralidades

O governo americano viu um incentivo à corrupção na anulação de todas as provas oriundas do acordo de leniência da Odebrecht pelo ministro Dias Toffoli.

Por mais extravagantes que sejam as decisões de Toffoli em casos de delinquentes do andar de cima, o ministro baseou-se em argumentos jurídicos; elas não se comparam com a máquina de perdões de Donald Trump.

Trump já perdoou larápios da política, como um governador que tentou vender uma cadeira no Senado, ou finórios de Wall Street, como o papeleiro Michael Milken, que no século passado pagou uma multa de 600 milhões de dólares, foi condenado a dez anos de cadeia e ralou apenas 22 meses.

Como repetia o professor Delfim Netto, “dois erros não fazem um acerto”.


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noticia por : UOL