O projeto de lei do vereador Rubinho Nunes, aprovado em primeiro turno na Câmara de São Paulo, escancarou uma obsessão do legislativo. Enfiar minorias de volta ao armário. Mas tenho uma péssima notícia para os reacionários: gays, negros e mulheres não aceitam mais o sequestro dos seus direitos por puro oportunismo eleitoral.
Sob o pretexto hipócrita de proteger a infância, o texto proíbe menores de 18 anos na Parada do Orgulho LGBT, mesmo com aval dos pais. A meta real é a marginalização deliberada. Ao carimbar a diversidade como algo obsceno, a proposta tenta esvaziar o sentido histórico de um evento que nasceu para dar imagem e voz a quem sempre foi empurrado para a invisibilidade. O alvo cruel são justamente os jovens que já se identificam com a comunidade e sofrem rejeição em casa ou na escola. Com a cassação do direito de presença, retira-se o único manifesto popular, onde eles encontram acolhimento e pertencimento.
A tentativa de empurrar a comunidade para o gueto ganha força com estrangulamento financeiro praticado por marcas que, por covardia diante da guerra cultural, debandaram do patrocínio. Junto à tentativa de proibir o uso de vias públicas, o plano se completa. Asfixiar o evento pelo bolso e pelo isolamento.
A inconstitucionalidade é flagrante por criar restrição direcionada, o que viola o direito à livre manifestação. Se esses projetos são natimortos jurídicos, por que surgem? Porque o foco não é a aprovação da lei, é o barulho. O objetivo é gerar engajamento e demarcar território às vésperas do evento.
O mais patético é que esses “conservadores” vivem em defesa da soberania dos pais na educação dos filhos. Mas a liberdade familiar só vale para eles. O direito de casais homoafetivos de levar os filhos a um ambiente de orgulho é sumariamente cassado. São mais de 400 projetos semelhantes que tramitam para proibir casamentos, censurar escolas. Podem tentar. A humanidade até tropeça, mas só anda para frente.
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noticia por : UOL
