Exército de Israel vai organizar passeios turísticos em região ocupada na Síria

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As Forças Armadas de Israel vão organizar passeios turísticos para civis israelenses nas regiões ocupadas por Tel Aviv na Síria —inclusive a chamada “zona de segurança”, território sírio invadido pelo Exército israelense logo após a queda do regime de Bashar al-Assad no país vizinho.

A imprensa local diz que os militares venderam ingressos para civis e vão realizar duas excursões por dia pelo território ocupado das Colinas de Golã, que a comunidade internacional reconhece como sendo sírio mas que foi anexado na prática por Israel em 1981. Os passeios começam neste domingo (13), e os ingressos se esgotaram rapidamente.

Sob escolta e viajando em ônibus à prova de balas, os turistas visitarão a região tomada por Israel em dezembro do ano passado para conhecer o Monte Hermon, o pico mais alto da Síria, agora sob controle israelense, e a região de Sheba, no Líbano, também ocupada por Tel Aviv. O local é conhecido por ser onde Abraão teria firmado sua aliança com Deus e tem profundo significado religioso.

Os turistas também poderão caminhar na região e nadar no rio Ruggad, na fronteira com a Jordânia. De acordo com o Exército de Israel, as visitas são importantes para “recuperar nossa herança e desenvolver o turismo na região, além de contar a história das batalhas travadas aqui durante a guerra”.

As Forças Armadas dizem que os passeios acontecem “dentro de Israel”, mas os territórios são considerados como parte da Síria e do Líbano pela comunidade internacional.

Em dezembro, o governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu aprovou novos assentamentos na região. Na época, Israel afirmou que a expansão dos assentamentos em Golã tem o objetivo de dobrar a população israelense na região. “Agindo em razão do novo front da guerra, agora na Síria, reafirmo que fortalecer as Colinas de Golã significa fortalecer o Estado de Israel”, escreveu Netanyahu em nota. “Vamos continuar a ocupar e assentar a região, fazendo com que ela floresça.”

Junto com a expansão, o governo também aprovou um financiamento de US$ 11 milhões (R$ 66,4 milhões) para viabilizar os novos assentamentos. Cerca de 30 mil israelenses vivem na região, ao lado de 24 mil drusos, minoria religiosa árabe que, em Golã, considera-se síria.

A ocupação das Colinas de Golã por Israel, considerada ilegal pela lei internacional, começou em 1967, após a Guerra dos Seis Dias. Apenas os Estados Unidos reconhecem a área como parte legítima do Estado judeu, um entendimento que começou em 2019, durante o primeiro mandato de Donald Trump.

Os assentamentos judeus em Golã, bem como aqueles na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, também são considerados ilegais pela comunidade internacional, e alguns colonos são alvos de sanções econômicas.

Com o objetivo velado de enfraquecer a possibilidade de uma solução de dois Estados, Israel patrocina a expansão de assentamentos nessas áreas e aplica a lei civil israelense aos seus cidadãos ali. Como os palestinos na Cisjordânia, por sua vez, vivem sob lei militar de Israel, entidades internacionais afirmam que o país comete apartheid na região.

noticia por : UOL