VINÍCIUS ANTÔNIO
DO REPÓRTERMT
A estudante de Direito Thainá Alvares, de 23 anos, denunciou ter sido agredida e ameaçada por policiais militares dentro da casa onde mora, no bairro Novo Horizonte, em Cuiabá. Segundo a jovem, o episódio ocorreu na madrugada de segunda-feira (10), na presença do filho de 3 anos e da avó acamada. A Corregedoria-Geral da Polícia Militar instaurou procedimento para apurar o caso e identificar os agentes envolvidos.
Em um vídeo publicado no Instagram, Thainá contou que acordou assustada após ouvir disparos e perceber luzes atravessando o quarto. Ao verificar se o filho e a avó estavam bem, ela teria visto policiais no quintal da residência.
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“Eu escutei barulho de tiros, acordei assustada e vi luzes pelo meu quarto, como se tivesse alguém no meu quintal. Fui ver se o meu filho estava bem e fui olhar a minha avó, porque ela é acamada, amputada e tem problemas de saúde”, relatou.
Conforme a estudante, um dos policiais abriu a janela da sala, proferiu xingamentos e ordenou que ela abrisse a porta em três segundos. Thainá afirmou que estava no banheiro, passando mal, e pediu que o militar aguardasse por alguns instantes.
“Eu falei que iria abrir a porta, mas pedi que ele esperasse um pouco, porque eu estava no banheiro, passando muito mal. Ele falou que não queria saber e começou a contar três segundos”, declarou.
A jovem disse que tentou registrar a ação com o celular, mas o aparelho não teria armazenado as imagens por falta de memória. Ao abrir a porta e caminhar em direção aos policiais, Thainá afirma que foi surpreendida por um militar armado.
“Foi quando surgiu um policial com uma arma na minha cabeça, pedindo para eu colocar a mão na cabeça. Eu falei que estava dentro da minha casa e que tinha aberto a porta para eles”, contou.
Segundo a estudante, o policial atingiu sua mão, derrubou e quebrou o celular e, em seguida, passou a agredi-la. As agressões teriam continuado dentro da residência.
“Ele bateu na minha mão, derrubou meu celular e quebrou. Depois, começou a me bater até chegar dentro da minha casa”, acusou.
Thainá relatou ainda que os policiais passaram a exigir nomes e informações sobre pessoas que supostamente estariam envolvidas com a venda de drogas na região. Ela afirmou que não conhecia os suspeitos e explicou que sua rotina é dedicada ao trabalho, aos estudos e aos cuidados com a família.
“Eles pediram nomes de pessoas que eu não sabia. Eu acordo às cinco horas, chego em casa às onze da noite, estudo, trabalho e tenho um filho de três anos. Aquilo não era minha obrigação saber”, disse.
A estudante contou que sofreu um ferimento na boca em razão das supostas agressões. “Estou com um corte enorme dentro da minha boca, por isso não estou conseguindo falar direito. Eu apanhei de uma pessoa que deveria me proteger”, afirmou.
Entre as acusações feitas por Thainá está a de que um dos policiais teria ameaçado colocar drogas com ela para prendê-la por tráfico. De acordo com a jovem, a ameaça ocorreu na presença do filho e da avó. “Eu falei que não sabia de nada, que não mexia com essas coisas e que morava ali somente para cuidar da minha avó. Foi quando ele me ameaçou, falando que jogaria droga em mim e que eu seria presa por tráfico”, relatou.
No vídeo, a estudante também questionou como a população pode colaborar com as forças de segurança diante de situações de violência e intimidação.
“Como o cidadão vai ajudar com informações e denúncias se vive coagido? Eu tenho que cuidar da minha vida, tenho um filho para cuidar. Como eu vou saber dessas coisas?”, questionou.
Thainá afirmou que já formalizou as denúncias e que buscará a responsabilização dos policiais que teriam participado da ação.
“Eu quero justiça, porque fui agredida na frente do meu filho. Meu filho tem três anos. Eu vou atrás de quem fez isso comigo”, declarou.
A estudante também relatou que passou a ter medo de sair de casa e de encontrar viaturas policiais. “São praticamente três dias sem dormir direito. Tenho medo de andar na rua, de ver um carro da polícia e simplesmente entrar em pânico”, disse.
Outro lado
Em nota encaminhada ao
, a Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Mato Grosso informou que recebeu a denúncia na terça-feira (11) e abriu procedimento para identificar os policiais envolvidos e apurar os fatos “com máximo rigor”.
A Polícia Militar declarou ainda que “não coaduna com abuso de autoridade, violência e nenhum outro tipo de crime cometido por parte de seus integrantes”.
Confira nota completa
“A Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Mato Grosso informa que recebeu a denúncia, nesta terça-feira (11), e que abriu procedimento para identificação dos policiais envolvidos na ocorrência e completa apuração dos fatos com máximo rigor.
A PMMT reforça que não coaduna com abuso de autoridade, violência e nenhum outro tipo de crime cometido por parte de seus integrantes.”
Veja vídeo
FONTE : ReporterMT





