Dólar abre em alta com dados de inflação dos EUA no radar

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O dólar sobe nesta quinta-feira (13), com investidores repercutindo novos dados de inflação nos Estados Unidos abaixo do esperado, o que reforça as apostas em um menor ritmo de cortes do Fed (Federal Reserve), o banco central americano.

O indicador favorece ativos de risco, mas o fluxo de saída de investidores estrangeiros do Brasil, que tem marcado agosto, pesa sobre os ativos domésticos durante o pregão.

Por volta das 16h14, a moeda americana subia 0,24%, a R$ 5,190. O movimento contrastava com o exterior, onde o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas, recuava 0,05%.

No mesmo horário, a Bolsa recuava 0,42%, aos 166.787 pontos.

Os dados dos preços ao produtor nos EUA ficaram abaixo do esperado em julho, em um sinal de menor pressão inflacionária na economia americana. Na comparação com o mês anterior, os preços ficaram estáveis, enquanto, na base anual, a alta foi de 4,7%. As expectativas, segundo pesquisa da Reuters, eram de avanços de 0,2% e 4,9%, respectivamente.

Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o resultado reforça o cenário de desaceleração gradual da inflação nos Estados Unidos.

“O resultado sinaliza que a pressão inflacionária observada nos últimos meses, intensificada pelo conflito no Oriente Médio, perde força. Embora a inflação acumulada em 12 meses permaneça elevada, esse patamar reflete o efeito dos meses anteriores, enquanto dados mais recentes apontam para uma trajetória de acomodação”, afirma.

Segundo Alves, a leitura é positiva para o mercado. “Um dado acima do esperado aumentaria as preocupações com a persistência da inflação e poderia reforçar a expectativa de uma política mais restritiva do Fed. Como isso não ocorreu, o indicador contribui para um ambiente mais favorável aos ativos de risco”, diz.

Dados do FedWatch, do CME Group, mostram que houve aumento nas apostas da manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, após a divulgação do indicador. Segundo analistas consultados, havia 65,6% de chance de manutenção, ante 59,6% na véspera.

Nos EUA, as Bolsas S&P 500 e Nasdaq sobem até 0,80% no pregão desta quinta.

No ambiente doméstico, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que o setor varejista brasileiro encerrou o segundo trimestre com alta nas vendas acima do esperado em junho.

O avanço foi de 0,5% na comparação com maio, acelerando o ritmo em relação ao mês anterior e sinalizando alguma resiliência do consumo, mesmo diante do cenário de juros ainda elevados.

Para André Valério, economista sênior do Inter, apesar do avanço, o resultado de junho reforça uma moderação da atividade.

“O desempenho de junho foi amplamente explicado por supermercados, um consumo essencial. No ano, grande parte do crescimento é oriundo de combustíveis, farmacêuticos e supermercados, consumos essenciais, enquanto o varejo ampliado, mais sensível ao crédito, demonstra sinais de perda de dinamismo”, diz.

O setor tem sido afetado pela desaceleração do consumo, o que pressionou os balanços das empresas no segundo trimestre, além do aumento do endividamento das famílias.

Em pregões recentes, os ativos domésticos têm sido pressionados pela perspectiva de juros elevados por mais tempo, em meio às incertezas relacionadas à guerra no Irã. A Selic em patamar elevado favorece os investimentos de renda fixa e reduz parte da atratividade da Bolsa.

O conflito no Oriente Médio também favorece ativos considerados mais seguros, como o dólar. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante uma cesta de seis moedas, acumula alta de 2,46% desde o início da guerra, ante recuo de 0,72% no acumulado do ano até então.

O cenário eleitoral e as preocupações fiscais também pressionam os ativos brasileiros. Os fatores foram citados pelo banco JPMorgan ao reduzir a recomendação para as ações brasileiras de “overweight” (acima da média) para “neutra”.

A saída de investidores estrangeiros da Bolsa também é um fator de peso. Até o dia 11, o saldo de agosto está negativo em R$ 11,9 bilhões, o que, até o momento, coloca o mês como o de pior saldo do ano, atrás apenas de maio. No acumulado de 2026, porém, o saldo permanece positivo em R$ 29,1 bilhões.

“Os ativos locais continuam fragilizados pela saída de estrangeiros e pela proximidade do pleito eleitoral, que reforça os riscos fiscais e mantém o prêmio de risco elevado”, diz Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil.

O dia também é marcado pelo impasse no Oriente Médio. No Golfo Pérsico, as negociações entre Irã e EUA continuam travadas, segundo uma fonte iraniana sênior, que afirmou não ter havido avanço para reativar o acordo provisório firmado em junho e definir um prazo para sua implementação.

Segundo porta-vozes de Teerã, o país espera que os EUA suspendam o bloqueio naval e as sanções contra o Irã, retirem as forças militares americanas das proximidades do país, paguem reparações pela guerra e liberem ativos iranianos congelados. O governo iraniano também pede o fim dos ataques a seus aliados na região e das ameaças contra o país.

O pregão ainda terá a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no evento “30 anos de atuação do FGC”, promovido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), em São Paulo. As falas podem trazer sinais sobre os próximos passos do Copom (Comitê de Política Monetária) em relação à taxa de juros brasileira.

noticia por : UOL