Quando Daniel Vorcaro foi preso, em novembro de 2025, logo ficou claro que o escândalo do Banco Master não era apenas um caso financeiro. Com o avanço das investigações, a crise relevou algo maior: uma rede de relações espalhada por praticamente todo o poder político do país. Do STF ao Congresso, dos governos estaduais ao Palácio do Planalto, da direita à esquerda.
Rapidamente, surgiram no noticiário juízes da Suprema Corte, presidentes de partidos, governadores, senadores, ex-ministros e articuladores ligados de alguma forma ao Master. Em muitos casos, os vínculos são indiretos ou mais distantes. Já em outros, aparecem contratos milionários, consultorias, lobby ou apurações conduzidas pela Polícia Federal.
Poucos episódios recentes conseguiram atingir tanta gente influente ao mesmo tempo — e de grupos políticos tão diferentes. A seguir, você acompanha um guia com quase 30 nomes citados nas reportagens sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master. Nem todos são suspeitos. Mas muitos, de alguma forma, estiveram perto demais.
ACM Neto
O ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União Brasil apareceu no caso após relatórios do Coaf apontarem repasses de R$ 3,6 milhões à sua empresa de consultoria entre 2023 e 2024. Os valores vieram do Master e da gestora Reag, investigada por movimentações suspeitas ligadas ao banco. Mensagens de Daniel Vorcaro também citam um encontro entre os dois na casa do próprio banqueiro, em maio de 2024.
ACM Neto confirma os pagamentos e as reuniões. Ele diz que os contratos eram legais, com notas fiscais e recolhimento de impostos. Também afirma ter prestado serviços de análise política e econômica às empresas de Vorcaro.
Alexandre Moraes
O nome do ministro do STF foi associado ao escândalo após a revelação de um contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci — cerca de R$ 3,6 milhões por mês entre 2024 e 2027. Conversas encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro também mencionam encontros pessoais com Moraes.
O ministro negou ter tratado de assuntos do banco com o Banco Central, enquanto o escritório afirmou que a atuação foi estritamente jurídica, ligada a temas de compliance e governança. Em dezembro de 2025, a PGR arquivou o pedido de investigação contra o casal por falta de indícios de crime.
Procurada pela reportagem da Gazeta do Povo, a assessoria de imprensa do STF informou que todas as notas oficiais sobre o caso foram publicadas em seu portal institucional.
Antonio Rueda
Dados enviados à CPI do Crime Organizado apontam que o Master repassou R$ 6,4 milhões a escritórios ligados a Rueda, advogado e presidente do União Brasil. Num primeiro momento, ele disse que sua relação com Vorcaro era apenas “social”. Depois, reconheceu que seu escritório prestou serviços jurídicos ao grupo do banqueiro, incluindo audiências, pareceres e acordos. Reportagens também o colocam nos bastidores das negociações para a venda do banco ao BRB.
Em maio deste ano, a imprensa noticiou que Rueda alertou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) quanto à reação e ao monitoramento do governo sobre a crise do Master.
Ciro Nogueira
Um dos nomes mais influentes do “centrão”, Nogueira virou um dos principais alvos políticos da Operação Compliance Zero. A PF suspeita que ele tenha recebido de R$ 300 mil a R$ 500 mil mensais, por meio da empresa CNLF, em troca de atuar em favor dos interesses do Banco Master no Congresso. Entre as articulações investigadas está a apresentação da chamada “Emenda Master”, que aumentaria a proteção dada a investidores em caso de quebra de bancos.
No início de maio, a quinta fase da operação teve buscas autorizadas em endereços ligados ao senador. Ciro admite conhecer Vorcaro, mas nega irregularidades e diz ser alvo de perseguição política.
Claudio Castro
O ex-governador do Rio de Janeiro é investigado por aplicações bilionárias de recursos públicos do estado no Master, principalmente por meio do Rioprevidência (fundo que administra a aposentadoria dos servidores estaduais). As apurações apontam cerca de R$ 3,7 bilhões investidos em produtos ligados ao grupo de Vorcaro.
Na última terça-feira (26), a Polícia Federal deflagrou a oitava fase da Operação Compliance Zero contra o político do PL — a segunda o envolvendo em menos de duas semanas. A defesa do ex-governador nega irregularidades e vê motivação política nas ações.
Davi Alcolumbre
O presidente do Senado enfrenta dois desgastes no escândalo. O primeiro envolve a Amprev, fundo de previdência dos servidores do Amapá, que aplicou cerca de R$ 400 milhões em letras do banco em menos de 20 dias. A operação passou por um aliado político de Alcolumbre na presidência do fundo e tinha seu irmão no conselho fiscal da entidade.
O segundo episódio ocorreu em maio, quando o senador se recusou por dois dias seguidos a ler no plenário os pedidos de criação da CPMI do Banco Master, deixando ao menos cinco requerimentos sem despacho. Ele nega ter interferido nos investimentos da Amprev.
Dias Toffoli
O ministro do STF começou o caso Master como relator das investigações no Supremo, mas acabou entrando na própria linha de apuração após surgirem indícios de sua proximidade com o entorno de Daniel Vorcaro. A PF encontrou no celular do banqueiro mensagens que mencionam Toffoli e apontou conexões indiretas envolvendo negócios da família do ministro com um fundo ligado ao grupo investigado.
Depois que a imprensa noticiou o caso, Toffoli admitiu ter sido sócio da empresa Maridt, que vendeu sua participação no resort Tayayá a um fundo ligado ao Banco Master.
Diante da repercussão, Dias Toffoli deixou a relatoria do inquérito em fevereiro. Um mês depois, declarou suspeição para atuar em qualquer desdobramento do caso, incluindo pedidos de CPI.
Em resposta aos questionamentos da Gazeta do Povo, a Coordenadoria de Imprensa do STF afirmou que todas as manifestações oficiais relacionadas ao caso estão publicadas no portal de notícias da Corte.
Fábio Faria
Ex-ministro das Comunicações de Bolsonaro, ex-deputado federal e genro de Silvio Santos (1930-2024), Fábio Faria aparece em duas frentes da crise. Na primeira delas, uma empresa ligada ao grupo Vorcaro comprou 90% de um projeto eólico no Rio Grande do Norte ligado a ele.
Além disso, mensagens citadas pela PF indicam que Faria atuou como interlocutor para aproximar Vorcaro de Dias Toffoli, quando o ministro ainda era relator do caso. O ex-ministro nega ter intermediado qualquer conversa sobre processos judiciais.
Fabio Wajngarten
Ex-secretário de Comunicação Social do governo Bolsonaro, Wajngarten foi contratado para atuar na estratégia de imagem de Daniel Vorcaro após a crise estourar. Sua empresa recebeu ao menos R$ 3,8 milhões declarados à Receita Federal. Ele confirmou a contratação e afirma que o contrato contém cláusulas de confidencialidade.
Flávia Péres (ex-Flávia Arruda)
Ex-deputada federal e ex-ministra da Secretaria de Governo de Bolsonaro, Flávia Arruda passou a usar o sobrenome de nascimento Péres após se separar do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (um dos protagonistas do escândalo de corrupção conhecido como “mensalão do DEM”). Hoje ela é casada com Augusto Ferreira Lima, sócio e ex-CEO do Banco Master, preso na primeira fase da operação.
Veículos da imprensa revelaram que, segundo registros declarados pelo Master à Receita Federal, o banco repassou R$ 457 mil ao Instituto Terra Firme, ONG presidida por Flávia. A ex-deputada nega que a entidade tenha recebido qualquer recurso do grupo de Vorcaro.
Flávio Bolsonaro
O senador do PL e pré-candidato à presidência apareceu nas investigações após o vazamento de conversas em que ele trata diretamente com Vorcaro de repasses para o filme Dark Horse (a cinebiografia de Jair Bolsonaro). Nos registros, de setembro de 2025, Flávio menciona a necessidade de recursos para a produção — que movimentou cerca de R$ 61 milhões entre fevereiro e maio daquele ano, segundo documentos e mensagens obtidas pela imprensa.
Antes do conteúdo vir a público, o senador negou conhecer o banqueiro. Mais tarde, diante das provas, ele admitiu o pedido de patrocínio para o longa e afirmou ter se reunido com Vorcaro. A PF e o STF apuram se recursos ligados Master também foram direcionados para outras atividades da família Bolsonaro.
Guido Mantega
O ex-ministro da Fazenda dos governos Lula e Dilma foi contratado pelo Master para articular politicamente a venda do banco ao BRB — uma operação que o Banco Central barrou. Documentos da Receita Federal comprovam que ele recebeu R$ 14 milhões pela Pollaris, sua empresa de consultoria.
Depois da prisão de Vorcaro, Mantega ainda saiu em defesa do banqueiro em grupos de WhatsApp petistas, mas não se pronunciou publicamente sobre os pagamentos. Seu nome consta de um inquérito no STF sob a relatoria do ministro André Mendonça.
Henrique Meirelles
O ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda integrou o comitê consultivo do Master entre março de 2024 e julho de 2025. Documentos da Receita enviados à CPI do Crime Organizado mostram que ele recebeu R$ 18,5 milhões pelo trabalho.
Meirelles confirmou o contrato e disse que a atuação foi “estritamente opinativa”, voltada para análises de macroeconomia e do mercado financeiro. Ele diz que rescindiu o acordo por conta própria, alegando baixa demanda.
Hugo Motta
O presidente da Câmara chegou ao escândalo por três caminhos. Começando pela acusação de que uma emenda de sua autoria beneficia empresas da família Vorcaro no mercado de carbono.
O Banco Master também emprestou ao menos R$ 22 milhões à sua cunhada para a compra de terras na Paraíba. E, como chefe do Legislativo, Motta vem impedindo a instalação da CPI do banco, sob a alegação de que há uma fila de 16 pedidos de comissão na frente.
Nas mensagens de Vorcaro, o deputado aparece como presença frequente em jantares e reuniões de bastidores. Sua assessoria nega irregularidades.
Ibaneis Rocha
O ex-governador do Distrito Federal foi citado pelo próprio Vorcaro em depoimento à PF como interlocutor nas negociações para vender o Master ao BRB. Ibaneis admite quatro encontros com o banqueiro, mas diz que “entrou mudo e saiu calado”.
Em março, veio à tona que seu escritório de advocacia havia vendido R$ 38 milhões em créditos para um fundo da Reag (a já citada gestora no centro das investigações). Sua defesa diz que o político estava afastado da firma desde 2018.
Jaques Wagner
Senador pelo PT da Bahia e líder do governo Lula no Senado, Wagner confirmou ter indicado Ricardo Lewandowski como consultor do banco — mas nega ter feito o mesmo com Guido Mantega. Além disso, reportagens revelaram que a empresa de sua nora recebeu R$ 11 milhões do Master por serviços de prospecção de crédito consignado. O político diz estar “tranquilo e calmo” e que as operações foram regulares.
Jerônimo Rodrigues
O governador petista da Bahia reconhece que seu governo fez 207 pagamentos ao Master entre 2023 e 2026, somando R$ 49,2 milhões em repasses do Fundef (fundo criado para garantir recursos à educação básica e melhorar os salários dos professores).
O estado também foi o berço do CredCesta, o cartão consignado que impulsionou o crescimento do banco, e chegou a ter 250 mil servidores estaduais como clientes do produto. Jerônimo descartou qualquer irregularidade em sua gestão.
João Doria
O ex-governador de São Paulo e fundador do grupo Lide entrou na história por uma única mensagem: em maio de 2025, ele escreveu para Vorcaro dizendo estar “preocupado” e que o banqueiro precisaria “reagir” a “coisas” que ele estava escutando. O texto foi recuperado pela PF e divulgado em março deste ano. Doria diz que foi somente um gesto cordial, feito antes de qualquer acusação pública contra o empresário.
Kássio Nunes Marques
O Coaf identificou que R$ 18 milhões do Master e da JBS foram para uma consultoria de Teresina ligada ao filho do ministro do STF, Kevin (que recebeu R$ 281,6 mil de uma empresa intermediária).
Em maio, reportagens revelaram que Nunes Marques e a mulher viajaram em um jatinho bancado por uma advogada que atua em processos do banco no STJ. E, desde março, o magistrado é o relator da ação que pode obrigar o Congresso a instalar a CPI do Master — processo que segue travado em seu gabinete.
Senadores também ainda pediram sua suspeição, alegando proximidade com Ciro Nogueira (os dois são conhecidos nos bastidores de Brasília por serem amigos de longa data). O ministro não se manifestou publicamente sobre o relatório do Coaf, mas Kevin Marques afirmou que o valor recebido vem do exercício regular da advocacia.
Lula
O presidente da República teve seu nome ligado ao Master após a revelação de que ele recebeu Daniel Vorcaro em uma reunião fora da agenda oficial do Planalto, em dezembro de 2024. O encontro, articulado por Guido Mantega, contou com ministros e com Gabriel Galípolo, então indicado para presidir o Banco Central. Nas mensagens apreendidas pela PF, Vorcaro classificou o encontro como “muito forte” e “ótimo”.
Em abril deste ano, Lula revelou ter aconselhado Alexandre de Moraes a se declarar impedido no caso, dizendo ao ministro: “Não permita que joguem fora a sua biografia”. O governo nega qualquer favorecimento ao banco
Luiz Estevão
Ex-senador pelo Distrito Federal e já condenado por corrupção no caso do TRT de São Paulo, Estevão é o dono do portal Metrópoles — que recebeu R$ 27,2 milhões do Master entre 2024 e 2025 para publicidade e patrocínio de transmissões da Série D do Campeonato Brasileiro.
O Coaf classificou a operação como “inusitada”, pois os valores eram imediatamente repassados a empresas da família de Estevão. Além disso, os pagamentos antecederam em seis meses a veiculação das propagandas.
Procurado pela Gazeta do Povo, Estevão confirmou os valores e disse que os pagamentos se referem a contratos regulares de publicidade. Ele afirmou não participar da área comercial do portal e negou qualquer interferência editorial na cobertura do caso Master.
Mario Frias
Ator, deputado federal pelo PL-SP e ex-secretário de Cultura de Bolsonaro, Frias é um dos produtores executivos da cinebiografia do ex-presidente financiada por Daniel Vorcaro. Quando o caso veio a público, em maio, ele declarou que não havia “um único centavo de Vorcaro no filme”. Mas, dias depois, surgiu um áudio de dezembro de 2024, em que o parlamentar agradece o banqueiro pelo investimento.
Desde então, Mario Frias passou a dizer que o vínculo jurídico era com a empresa Entre Investimentos (uma holding apontada pela PF como braço operacional de Vorcaro), não diretamente com o banco. O ministro Flávio Dino analisa essa triangulação financeira no STF.
Michel Temer
O ex-presidente da República, que também é advogado, foi contratado pelo grupo de Vorcaro em setembro de 2025, para tentar reverter o veto do Banco Central à venda do Master ao BRB. Mas a missão falhou: a liquidação foi decretada dois meses depois.
Documentos da Receita enviados à CPI do Crime Organizado confirmam os pagamentos — o banco declarou R$ 10 milhões, enquanto Temer diz ter recebido R$ 7,5 milhões. “Recebi honorários, não dinheiro”, disse o ex-presidente, insistindo que atuou estritamente como advogado privado.
Nikolas Ferreira
Em outubro de 2022, o deputado federal do PL usou o jatinho de Vorcaro para percorrer pelo menos nove estados em uma caravana de apoio à reeleição de Jair Bolsonaro. Nikolas diz que não sabia de quem era o avião e nega qualquer relação com o banqueiro. O TCU arquivou uma representação por falta de indícios de verba pública, mas a Justiça Eleitoral ainda analisa uma eventual omissão de gastos de campanha.
Ricardo Lewandowski
O ex-ministro do STF e ex-ministro da Justiça de Lula foi contratado pelo Master para prestar consultoria jurídica — a pedido de Jaques Wagner. A imprensa também noticiou que o escritório de sua família recebeu entre R$ 5 milhões e R$ 6,1 milhões pelo serviço ao longo de dois anos. O episódio criou um mal-estar: afinal, o contrato foi firmado enquanto Lewandowski ainda estava na Corte que hoje analisa os inquéritos sobre o banco.
Em nota, a assessoria do ex-ministro informou à Gazeta do Povo que ele prestou serviços ao Master após deixar o STF, em abril de 2023, e encerrou o contrato ao ser convidado por Lula para assumir o Ministério da Justiça, em janeiro de 2024 (quando suspendeu seu registro na OAB, como determina a lei).
Ronaldo Bento
Ex-ministro da Cidadania de Jair Bolsonaro, Bento chefiava a pasta que regulamentou o crédito consignado do Auxílio Brasil, programa que impulsionou o crescimento do Banco Master. Ao deixar o governo, ele assumiu cargos de direção em duas empresas criadas a partir do Master. Para os órgãos de controle, foi um caso clássico de “porta giratória” (quando um gestor sai do governo para lucrar no setor que ele mesmo ajudou a regulamentar).
A CPI do Crime Organizado o convocou para depor em fevereiro de 2026, mas a comissão foi encerrada antes que o ex-ministro falasse. Bento defende que sua atuação no setor privado foi lícita, ocorrendo após o período legal de quarentena e sem o uso de informações privilegiadas.
Ronaldo Caiado
O senador e pré-candidato à Presidência teve seu nome ligado ao Master após reportagens revelarem que, em março de 2023, seu governo em Goiás sancionou alterações nas regras do consignado dos servidores estaduais após reuniões com representantes do banco. As novas regras permitiam que os funcionários públicos se endividassem mais e por mais tempo — o que beneficiava diretamente o CredCesta, o cartão consignado do Master.
Procurada pela Gazeta do Povo, a assessoria de Caiado informou que o Banco Master nunca firmou contrato com o governo de Goiás nem recebeu repasses públicos. Disse que a reunião foi virtual, conduzida por equipes técnicas da Secretaria da Economia, e que o projeto de lei só foi à Assembleia oito meses depois, sem urgência. A assessoria acrescentou que a ampliação da margem de consignado seguiu determinação de lei federal de 2022 e que hoje há 62 instituições autorizadas a operar consignado no estado — sendo a escolha do banco uma decisão exclusiva de cada servidor.
Romeu Zema
Em 2022, quando Zema disputou a reeleição para o governo de Minas, o diretório estadual de seu partido, o NOVO, recebeu R$ 1 milhão do pai de Vorcaro. A gestão do governador também editou normas que ampliaram o consignado dos servidores estaduais, o que favoreceu CredCesta.
Em vez de uma nota formal, a assessoria de Zema enviou à Gazeta do Povo o link de um vídeo publicado nas redes como posicionamento oficial. Na mensagem, o ex-governador afirma que a proposta de ampliação do consignado partiu da Assembleia Legislativa durante a pandemia e foi aprovada por 61 dos 77 deputados. Ele ainda diz que o decreto não direcionava os serviços para nenhum banco específico e nega ter relação com Vorcaro. Sobre a doação ao NOVO, a assessoria informou que ela ocorreu em 2022, “quando não se sabia das irregularidades do Master”, e que não houve troca de favores.
Rui Costa
O ministro-chefe da Casa Civil de Lula aparece no escândalo por decisões tomadas quando ainda era governador da Bahia. Em 2018, sua gestão privatizou a rede de supermercados Ebal para o empresário Augusto Lima — que usou o negócio para criar o CredCesta.
Em 2022, já no fim de seu mandato, Costa assinou um decreto que restringia a portabilidade dos empréstimos consignados dos servidores baianos, dificultando a migração para outros bancos. Ele nega qualquer tipo de favorecimento.
A Gazeta do Povo buscou o posicionamento dos demais citados nesta reportagem (diretamente ou por meio de suas assessorias, empresas e partidos políticos), mas não obteve retorno até a conclusão deste texto.
noticia por : Gazeta do Povo
