O PT lançou recentemente em Brasília a Rede Nacional de Católicas e Católicos Progressistas para estreitar o diálogo com o eleitorado religioso. A iniciativa foca em pautas sociais como o combate à fome, visando fortalecer o projeto de reeleição do presidente Lula para o pleito de outubro de 2026.
Qual é o principal objetivo desse novo movimento do PT?
O partido busca criar um canal permanente de comunicação com os fiéis, combatendo o que chama de desinformação no campo religioso. A ideia é mostrar que as políticas do governo, como o Bolsa Família, estão alinhadas aos valores cristãos de justiça social. Para isso, foi publicada uma ‘Carta aos Católicos’ e criada uma rede nacional com o apoio de entidades como a Cáritas Brasileira e o Conselho Nacional do Laicato do Brasil.
Como a questão do aborto está sendo tratada nesses encontros?
Houve um silêncio estratégico sobre o tema. Os organizadores decidiram não incluir o aborto no manifesto oficial, declarando que o assunto está ‘superado’ internamente. A estratégia foca a ‘defesa da vida’ em problemas sociais, como a fome e a violência, evitando um confronto direto com a doutrina da Igreja Católica, que é estritamente contra a interrupção da gravidez desde a concepção.
Quem são as principais lideranças envolvidas na iniciativa?
O evento contou com a participação da primeira-dama Janja, do presidente do PT, Edinho Silva, e do ex-ministro Gilberto Carvalho. Também estiveram presentes figuras históricas da Teologia da Libertação, como Frei Betto e a teóloga Ivone Gebara. A intenção é resgatar a ligação histórica do partido com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que foram fundamentais na fundação da legenda.
Existem pontos de conflito entre o discurso do partido e os fatos?
Sim. O discurso de caridade e ética esbarra no histórico de escândalos de corrupção que envolveram lideranças petistas, como o Mensalão e a Operação Lava Jato. Além disso, embora o partido silencie sobre o aborto no encontro religioso, em outros contextos o presidente Lula já defendeu a prática como uma questão de saúde pública, e o Ministério da Saúde revogou normas que dificultavam o acesso ao procedimento legal.
O que a doutrina católica diz sobre a filiação a partidos socialistas?
Historicamente, há decretos e encíclicas papais que restringem essa união. O Papa Pio XI, por exemplo, afirmou que não é possível ser um bom católico e um verdadeiro socialista ao mesmo tempo. Já um decreto de 1949, do Papa Pio XII, proíbe os fiéis de apoiarem partidos de doutrina materialista ou anticristã, sob risco de excomunhão, o que gera um debate sobre a compatibilidade doutrinária entre a Igreja e o projeto político do PT.
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noticia por : Gazeta do Povo




