O avanço das bets não é um fenômeno natural do mercado devido a uma demanda reprimida, mas resultado de uma combinação perversa de publicidade agressiva, regulação insuficiente e um Estado que age como cúmplice desde que grana de impostos entre no caixa. Elas investiram pesado em marketing, patrocínios e anúncios que transformam o jogo em um vício socialmente aceito.
Se o Brasil não proíbe propaganda de bets, deveria liberar também a do crack – ressaltando que quem compra pedra sofre o risco de ser preso na boca, mas a bet está a um clique. E, muito em breve, a um app de distância.
Casas de apostas vendem a ilusão de enriquecimento fácil, usando jogadores famosos e influenciadores como garotos-propaganda. A mensagem é clara: basta apostar para mudar de vida. O que não mostram são os milhões que perdem o dinheiro do aluguel, do salário ou da poupança da família acreditando que, hoje, é seu dia.
Bets privatizam o lucro e socializam o prejuízo.Quem banca os tratamentos de dependentes do jogo? O SUS.
É preciso proibir propagandas, aumentar os impostos para bancar campanhas de informação e tratamento de dependentes, exigir verificações de renda dos apostadores, criar quantos mecanismos de proteção forem possíveis. Do contrário, continuaremos assistindo a um setor enriquecer explorando a vulnerabilidade alheia.
O jogo pode ser lícito hoje, mas sua expansão descontrolada é imoral. Enquanto o Brasil não acordar, seguirá como refém de uma roleta que só para quando o jogador já perdeu tudo.
noticia por : UOL




