ArtRio leva joias raras ao salão, mas colecionadores ainda não mordem a isca

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É verdade que muitos galeristas acharam um pouco fraco o coquetel para convidados que abriu as portas desta primeira ArtRio, encerrada neste domingo no Rio de Janeiro e agora liderada por uma nova diretora artística, Maria Luz Bridger. Esperavam um pouco mais de luxo, talvez, mas impossível ficar de mau humor no inverno nada glacial da Marina da Glória debruçada sobre a baía de Guanabara em tempo irretocável.

Os dias foram perfeitos para alguns deles, que venderam um grande volume de obras de artistas em ascensão. Os que tomaram o caminho da ostentação não perderam a viagem, mas foi mais difícil emplacar peças na faixa acima dos R$ 3 milhões, o que indica um momento de cautela no mercado atual e também dá a sensação de que, nessa ressaca provocada pelo maremoto do tarifaço de Donald Trump, muitas joias raríssimas de coleções particulares estão saindo do armário para desfilar pelas galerias.

Exemplos dessas obras de peso se multiplicavam pela feira, mas não encontraram um comprador, entre eles um móbile de Alexander Calder, na Almeida & Dale, uma enorme tela da década de 1950 de Alberto da Veiga Guignard, na Flexa, um Ivan Serpa de sua fase expressionista que não circulava havia décadas no mercado, na Gustavo Rebello, e uma escultura cinética de Laura Lima, na Luisa Strina, peça de sua série mais recente e alvo do recém-lançado livro “Balé Literal”.

No grupo de galerias sob a alçada da paulistana Almeida & Dale, que na ArtRio tinha ainda a carioca Flexa e a recifense Marco Zero, as vendas superaram os R$ 10 milhões juntando todas as casas, com obras de Amilcar de Castro, por R$ 1,7 milhão, Tunga, por R$ 960 mil, Roberto Burle Marx, por R$ 500 mil, entre outros sem valores divulgados, como Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Lais Myrrha, Lorenzato, Montez Magno, Rubem Valentim e Tomie Ohtake.

Na Danielian, colecionadores arremataram uma obra de Djanira, por R$ 450 mil, uma tela de Heitor dos Prazeres, agora na Bienal de São Paulo, por R$ 90 mil, e uma escultura de Ione Sadanha, por R$ 450 mil. Essa mesma artista, na Galatea, teve uma obra vendida por R$ 300 mil.

Trabalhos do alemão Wolfram Ullrich na faixa dos R$ 130 mil tiveram boa saída na Raquel Arnaud, além de obras de Almandrade, Felipe Pantone, Marina Weffort e Shirley Paes Leme.

Foi na ala dos artistas ainda em ascensão, no entanto, que galeristas relataram alguns milagres da multiplicação. A casa A Gentil Carioca diz que houve uma explosão de demanda pela obra da jovem Agrade Camíz, e a feira acabou doando uma pintura de Miguel Afa para a Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Diretores da paulistana Verve contam ter vendido cerca de 20 obras do pintor Lucas Rubly, com preços de R$ 6.000 a R$ 21,5 mil. Bianca Boeckel, também de São Paulo, conta ter vendido algumas telas de João Paulo Balsini, pintor que vem chamando a atenção por seus registros de carga homoerótica marcados uma escala cromática mais silenciosa. Na outra ponta do espectro de cor, Francisco Hurtz, da Verve, teve seu recente livro de artista doado ao Museu Nacional de Belas Artes, instituição em parte fechada que agora ainda recebe uma bela mostra do fotógrafo Vicente de Mello.

FUSÕES E AQUISIÇÕESRegina Silveira vai doar ao Masp o projeto de sua obra de adesivos de vinil que estampou todas as fachadas do museu da avenida Paulista há 15 anos. E Lyz Parayzo terá agora no Museu de Arte Contemporânea de Lyon a sua “Cuir Mouvement”, que esteve na Bienal de Lyon do ano passado.


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noticia por : UOL