Amyr Klink: “Não quero ser exemplo para ninguém”

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Em 22 de agosto, Raphael Garcia atracou na Bahia Marina, em Salvador, depois de 136 dias remando sozinho desde Lüderitz, na Namíbia. No píer, ele era aguardado por Amyr Klink, que fez a mesma rota em 1984. Nas quatro décadas seguintes, Klink recebeu em seu escritório dezenas de jovens que queriam repetir a travessia O problema é que já chegavam com assessor de imprensa e editor de livros contratados, pensando nos louros antes mesmo do trabalho árduo.

Garcia, paulistano de 34 anos que morava na Nova Zelândia, não tinha patrocinador nem conta em rede social e pagou o barco com o próprio dinheiro. Para Klink, foi a confirmação de uma regra que ele aplicou às próprias filhas: primeiro se faz, depois se conta.

O próprio Garcia recusa o mérito da ideia. “É fácil eu ou outras pessoas refazerem essa viagem depois que alguém já deu a cara a tapa e mostrou que é possível”, disse à Gazeta do Povo. Ele achou Cem Dias entre Céu e Mar por acaso, num sebo de Foz do Iguaçu, em 2022, e levou quatro anos entre a leitura e a partida.

O livro, lançado em 1985, ganhou em julho uma edição revista pela Companhia das Letras. A travessia chega aos cinemas em 29 de outubro em 100 Dias, de Carlos Saldanha, com Filipe Bragança no papel do navegador. Aos 71 anos, Klink recebe a atenção com desconfiança: diz que não quer ser exemplo para ninguém e chama de bobagem a conversa sobre o filme no Oscar.