As mais recentes ameaças comerciais de Donald Trump derrubaram o dólar para seu nível mais baixo em três anos nesta quinta-feira (12), em meio a crescentes preocupações com o comércio internacional e tensões geopolíticas.
A moeda americana recuou após o presidente dos EUA dizer a jornalistas que enviará cartas a parceiros comerciais nas próximas semanas com novas tarifas, à medida que se aproxima o fim da pausa de 90 dias sobre as chamadas tarifas “recíprocas”, prevista para o mês que vem.
O dólar caiu 0,7% em relação a uma cesta de moedas de seus principais parceiros, incluindo a libra e o euro. Com isso, a moeda ultrapassou o piso registrado após o “dia da libertação tarifária” anunciado por Trump em abril, atingindo o menor valor desde março de 2022.
“O comentário de Trump indica claramente uma nova escalada nas tensões comerciais antes do prazo oficial”, disse Derek Halpenny, analista do banco MUFG.
Os investidores também reagiam à trégua comercial anunciada na quarta-feira entre EUA e China, e ao aumento da tensão entre EUA, Israel e Irã, depois que o governo Trump autorizou a saída de familiares de militares americanos do Oriente Médio.
“Vamos ver o que acontece”, disse Trump na quarta (11). “O Irã não pode ter uma arma nuclear. Muito simples.”
Apesar da pressão cambial, o mercado de ações se recuperou da queda de abril. O índice S&P 500 se aproximou de uma nova máxima histórica nos últimos dias.
Na quinta-feira, as ações em Wall Street subiram após perdas iniciais, com o S&P avançando 0,2%. Já na Europa, o índice Stoxx Europe 600 teve queda leve de 0,1%.
Analistas do Deutsche Bank sugeriram que parte da queda do dólar também pode estar ligada à informação, revelada pelo Financial Times, de que o Pentágono estaria reavaliando o acordo de 2021 sobre submarinos firmado com Reino Unido e Austrália.
“Informações de que os EUA estão revendo sua participação no pacto de defesa Aukus são altamente relevantes para o dólar”, escreveu George Saravelos, chefe de pesquisa cambial do banco.
“Um enfraquecimento na aliança geopolítica entre os EUA e seus aliados reduz o fluxo de capital estrangeiro para o país”, disse ele, acrescentando que investidores australianos já haviam manifestado preocupação em reuniões nesta quinta.
Dados de inflação abaixo do esperado nos EUA, divulgados entre quarta e quinta-feira, também contribuíram para a desvalorização do dólar, ao abrir espaço para cortes mais rápidos nos juros por parte do Federal Reserve. O mercado de futuros já precifica integralmente dois cortes de 0,25 ponto percentual ainda este ano.
Enquanto isso, os sinais dados na semana passada pelo Banco Central Europeu de que seu ciclo de cortes pode estar perto do fim impulsionaram o euro, que subiu 0,8% e chegou a US$ 1,158 —o maior nível desde novembro de 2021.
Esses movimentos se somam a uma queda acumulada de quase 10% do dólar neste ano, provocada pela combinação de temores sobre a guerra comercial, aumento do déficit público dos EUA e indícios de que investidores estão reduzindo sua exposição a ativos norte-americanos. Uma cláusula orçamentária que permite aumentar impostos sobre investimentos estrangeiros aumentou ainda mais o clima de incerteza.
“Estrangeiros estão vendendo o dólar em todas as altas, diante do caos político, da explosão da dívida e de outras ameaças aos seus investimentos”, disse Trevor Greetham, diretor da gestora Royal London Asset Management.
A fraqueza do dólar “ainda tem muito espaço para continuar”, avaliou Vasileios Gkionakis, economista-chefe da Aviva Investors. “O afastamento da ideia de excepcionalismo dos EUA está elevando o risco percebido e pressionando o valor do dólar.”
noticia por : UOL




