As ações do BRB (Banco de Brasília) estão em trajetória de desvalorização na Bolsa de Valores desde que o Banco Central barrou sua tentativa de compra do Banco Master, em agosto de 2025, acumulando perda de 36,5%. No mesmo período, o Ibovespa subiu 25%.
A queda se intensificou com a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Master, e a liquidação da sua instituição, em novembro. Naquele mês, as três principais agências de classificação de risco rebaixaram a nota de crédito do BRB, citando preocupação com sua governança. Desde então, os papéis recuaram 11,4%.
Como mostrou a Folha, antes de o BC rejeitar a operação, o banco estatal do DF adquiriu carteiras de crédito do Master que, segundo investigadores, se mostraram fraudulentas, decorrentes de empréstimos inexistentes. O valor dessa fraude, segundo investigação da PF, chegou a R$ 12,2 bilhões.
Conforme o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou em depoimento à PF, parcela significativa desses recursos foi devolvida ao BRB pelo Master. Assim, o saldo negativo da transação estaria em pouco menos de R$ 2 bilhões. A transação segue sob investigação.
Parte da liderança do BRB foi afastada da instituição, que, inclusive, visa trocar membros do conselho de administração.
Segundo a Fitch, as investigações e o afastamento de executivos elevaram o risco da estatal. “As investigações podem afetar significativamente o balanço, a capitalização e a franquia da entidade”, diz o mais recente relatório da agência sobre o BRB, de 25 de novembro.
Ainda segundo analistas da Fitch, que piorou a avaliação de crédito do banco de B- para CCC, há “incertezas quanto à dimensão e ao impacto financeiro finais da alegada fraude”, que deixam o banco em observação negativa pela agência.
Depois de também rebaixar a nota do BRB, de A para BBB-, a Moody’s internacional retirou todas suas avaliações acerca do banco por pedido do próprio BRB.
Antes, em sua última avaliação, analistas da Moody’s afirmaram que apesar da possível piora no perfil de risco e rentabilidade do banco em decorrência da investigação, o BRB deve conseguir gerenciar a sua liquidez nesse primeiro momento devido aos recursos captados com servidores públicos, entidades relacionadas ao Governo do Distrito Federal e depósitos judiciais.
O relatório da agência de rating também destacava que o capital regulatório do banco estava enfraquecido, o que oferecia uma proteção limitada contra possíveis perdas.
“Em junho de 2025, o banco reportou um índice de capital nível 1 de 9,4%, apenas 0,9 pontos percentuais acima do mínimo regulatório, e um Índice de Basileia de 13,9%, 3,4 pontos-percentuais acima do requerimento”, disse a Moody’s.
Segundo informações disponíveis no Banco Central referentes ao terceiro trimestre de 2025, o BRB tinha um patrimônio líquido de 4,3 bilhões e uma carteira de crédito (empréstimos e financiamentos concedidos) de R$ 49,9 bilhões. Já o lucro líquido do período informado é de R$ 181 milhões.
Em 28 de novembro, a S&P também rebaixou o rating do BRB de A-/A-2 para BBB-/A-3 e manteve as notas sob observação “com implicações negativas”.
A agência vê a possibilidade de as investigações se estenderem por um período prolongado, o que poderia desviar o foco do banco de suas atividades.
“Além disso, o risco reputacional, somado às fragilidades de governança, deve afetar a confiança dos clientes e investidores e, em última instância, reduzir a capacidade do BRB de manter margens financeiras saudáveis, encarecer o custo de captação e limitar sua expansão. No agregado, esses fatores devem representar desafios materiais à rentabilidade do banco nos próximos trimestres”, diz o relatório da S&P.
Os analistas também afirmaram esperar volatilidade no custo de financiamento do banco, com “menor capacidade de captação em condições similares às anteriores à investigação”. Ou seja, o custo operacional pode aumentar.
noticia por : UOL




