KARINE ARRUDA
LUÍZA VIEIRA
DO REPÓRTERMT
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou hoje (2) que a empresa que estava pressionando a prefeitura para fazer o pagamento e a entrega de um lote de livros sem contrato simplesmente sumiu. Em coletiva de imprensa, ele disse que o “sumiço” ocorreu depois da denúncia feita por ele próprio ao presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, que resultou em uma vistoria no almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação.
“O dono, que estava desesperado para entregar o material para nós, sumiu depois daquele encontro lá com o Tribunal de Contas. A pessoa que queria nos obrigar, praticamente, a receber o material que eles produziram, não deu mais as caras”, afirmou o prefeito.
“É uma empresa, se eu não me engano, chamada NeuroSaber. Eles estavam pressionando a prefeitura para fazer a entrega do material. Após aquela denúncia frente ao Tribunal de Contas, a empresa não se identificou mais até o momento na Secretaria de Estado de Educação”, acrescentou.
Conforme noticiado anteriormente pelo
, Abilio havia denunciado que está sofrendo uma pressão “agressiva” para efetuar o pagamento de um lote de materiais didáticos entregue sem respaldo legal.
Segundo ele, a empresa, chamada NeuroSaber, que possui ligações com a QI Comunicação, havia enviado um caminhão de livros para Cuiabá e estava tentando forçar uma indenização financeira, mesmo sem a existência de um contrato formal ou uma ordem de serviço assinada pelo gestor.
Baseado na auditoria feita na Secretaria Municipal de Educação (SME), Abilio revelou que os materiais estão armazenados em um depósito particular, localizado no bairro Alvorada, que estaria alugado pela própria fornecedora.
A empresa alega possuir capturas de tela e e-mails de conversas, supostamente lideradas pelo ex-secretário da pasta Amauri Monge, para validar a entrega dos produtos.
Esquema na Educação
De acordo com Abilio, a empresa citada faz parte de um suposto esquema financeiro descoberto por ele na Secretaria de Educação, antes da nomeação do secretário-interino Reginaldo Teixeira. Segundo o gestor, a prefeitura repassou cerca de R$ 27 milhões para a pasta no início do ano. Desse montante, R$ 21 milhões teriam sido usados na aquisição de materiais didáticos, que tem sido alvo de investigação de possível fraude.
Na última sexta-feira (29), o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo, esteve pessoalmente no almoxarifado da SME, a convite de Abilio, para apreender e recolher os materiais didáticos que estão sob investigação. O órgão instaurou uma auditoria integral nos contratos da pasta, que somam mais de R$ 70 milhões.
Entre os livros confiscados e sob suspeita de fraude estão volumes produzidos por Inteligência Artificial (IA), que contêm erros graves de português e trazem conteúdos de disciplinas totalmente alheias à realidade das escolas municipais de Cuiabá, como informática e educação financeira, matérias que sequer constam na grade curricular ou possuem laboratórios ativos na rede.
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FONTE : ReporterMT





