A malha metroferroviária no país cresceu 15,4 quilômetros no primeiro semestre, acima da média dos últimos dez anos, mas um avanço ainda insuficiente em relação às necessidades das regiões metropolitanas brasileiras.
Com o crescimento, o Brasil chegou a 1.160,1 quilômetros de trilhos urbanos, operados por 23 sistemas de trens, metrôs, VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos) e monotrilhos, ante os 1.144,7 quilômetros existentes ao final do ano passado.
A média dos últimos dez anos aponta crescimento de 12,9 quilômetros anuais, abaixo do que as cidades necessitam, aponta Ana Patrizia Lira, diretora-presidente da ANPTrilhos (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos). No ano passado, foram somente 7,2 quilômetros a mais de trilhos urbanos.
No documento da associação em que os resultados foram divulgados, a executiva afirma que os dados indicam que há demanda por transporte sobre trilhos, “mas a rede, historicamente, não cresceu na velocidade necessária para atendê-la”.
Atualmente, o país conta com 52 linhas metroferroviárias distribuídas por 73 municípios de 12 unidades da federação. O total subiu em relação às 49 linhas do ano anterior graças à adição da Linha 4–Laranja (ramal do Aeroporto), em Fortaleza, do primeiro trecho do VLT de Salvador e da Linha 17–Ouro, em São Paulo —todas encerrando o semestre em fase de operação assistida. Há ainda outros 17 projetos em execução que, quando concluídos, ampliarão a rede em 174,2 quilômetros e 115 novas estações.
“Os números deste balanço mostram um setor com capacidade para avançar muito mais do que avançou até aqui. Para isso, a mobilidade precisa ser tratada como política de Estado, com investimentos permanentes que garantam a expansão da rede metroferroviária.”
O sistema mais presente no Brasil é o VLT, que tem 19 linhas (36,5% do total), seguido pelo metrô, com 16 linhas (30,8%), pelos trens urbanos, com 15 (ou 28,8%) e pelos monotrilhos, com duas linhas e responsáveis por 3,8% do total.
No primeiro semestre, o sistema transportou 1,3 bilhão de passageiros, um aumento de 2,7% (33,85 milhões a mais) em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse crescimento foi impulsionado majoritariamente por São Paulo, que saltou de 972,97 milhões de usuários entre janeiro e junho de 2025 para 1,003 bilhão neste ano (+3,1%). Sozinho, o sistema paulista respondeu por 30,31 milhões do aumento total de passageiros no país.
O Rio de Janeiro também registrou alta de 3,2%, passando de 161,52 milhões para 166,66 milhões de usuários. O fluxo também cresceu no Rio Grande do Sul (6,5%), na Paraíba (3,2%) e na Bahia (0,4%). Em contrapartida, Distrito Federal, Pernambuco, Minas Gerais, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte apresentaram retração, enquanto Alagoas manteve o volume estável.





