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quarta-feira, novembro 4, 2026

O que motivou os eleitores nas eleições de meio de mandato dos EUA em 2026

8 min de leitura


Começa a apuração da eleição para o Congresso dos EUA
Os republicanos que disputaram as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos nesta terça-feira (3) esperavam que seus candidatos conseguissem manter a coalizão que levou o presidente Donald Trump à vitória em 2024. Mas a pesquisa AP Voter Poll indica que o partido perdeu terreno entre vários grupos importantes de eleitores.
O levantamento, que ouviu cerca de 80 mil eleitores nos 50 estados, indica que os jovens demonstraram menos apoio aos republicanos na disputa pela Câmara dos Representantes neste ano do que a Trump em 2024.
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🔎 A AP Voter Poll foi realizada pela SSRS, empresa americana de pesquisas de opinião, para a Associated Press e outros veículos de comunicação, com eleitores registrados nos 50 estados americanos. O levantamento combina amostras probabilísticas e não probabilísticas, com entrevistas entre 19 de outubro e 3 de novembro no Alasca e entre 22 de outubro e 3 de novembro nos demais estados. A margem de erro para a amostra completa é de 0,6 ponto percentual, para mais ou para menos.
Os eleitores com menos de 30 anos também disseram, com mais frequência que os mais velhos, ter votado para a Câmara com o objetivo de expressar oposição ao presidente. Entre os hispânicos, o apoio aos candidatos republicanos também foi menor que o registrado por Trump dois anos atrás.
A maioria dos eleitores apontou a economia ou a situação da democracia como o principal problema do país. O custo de vida e a corrupção no governo estiveram entre as preocupações que pesaram na decisão de voto. A pesquisa também mostrou um forte desejo de que o Congresso assuma um papel mais firme na fiscalização da Presidência.
Mas, embora os democratas tenham ao menos uma pequena vantagem na avaliação sobre vários temas importantes, incluindo economia e corrupção no governo, o Partido Democrata não é muito mais popular entre os eleitores que o Partido Republicano.
Jovens e hispânicos parecem se afastar dos republicanos
Uma pessoa vota durante as eleições de meio de mandato nos EUA, em uma seção eleitoral na Escola Primária Beacon Heights, em Riverdale, Maryland, EUA.
Daniel Heuer/Reuters
Depois de se aproximarem de Trump na eleição de 2024, os jovens parecem ter se afastado do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato deste ano.
A pesquisa AP Voter Poll mostra que cerca de sete em cada dez eleitores com menos de 30 anos disseram ter apoiado o candidato democrata na disputa pela Câmara em seu distrito. Aproximadamente três em cada dez afirmaram ter votado no republicano.
Infográfico mostra a idade dos eleitores e voto para a Câmara dos EUA
Lara Bernardino/Equipe de Arte – g1
É uma mudança em relação a 2024, quando os eleitores mais jovens ficaram praticamente divididos entre Trump e a então vice-presidente Kamala Harris.
Os jovens representam uma parcela relativamente pequena do eleitorado. Apenas cerca de um em cada dez eleitores nas eleições de meio de mandato de 2026 tinha menos de 30 anos, o que limita o impacto dessa mudança.
Ainda assim, o descontentamento desse grupo com o país e sua liderança é evidente: cerca de metade dos jovens disse sentir “raiva” dos rumos dos Estados Unidos, contra aproximadamente um terço dos eleitores de 65 anos ou mais.
A pesquisa também indica que os republicanos podem ter perdido o terreno conquistado por Trump entre os hispânicos em 2024, embora em menor proporção que entre os jovens.
Apenas cerca de um terço dos eleitores hispânicos disse ter apoiado o candidato republicano à Câmara em seu distrito. Dois anos antes, aproximadamente quatro em cada dez haviam votado em Trump. Cerca de seis em cada dez hispânicos disseram ter escolhido o candidato democrata à Câmara neste ano.
Aproximadamente sete em cada dez eleitores hispânicos afirmaram que as políticas de Trump pioraram as condições econômicas dos Estados Unidos.
Muitos eleitores foram motivados pela oposição a Trump
Embora Trump não estivesse na disputa, muitos eleitores pensaram nele ao votar.
A pesquisa AP Voter Poll aponta que cerca de quatro em cada dez eleitores queriam “expressar oposição” a Trump com seu voto para o Congresso. Pouco menos de dois em cada dez queriam “expressar apoio” ao presidente, enquanto aproximadamente quatro em cada dez disseram que Trump não influenciou sua decisão.
A maioria dos eleitores com menos de 30 anos afirmou ter votado para expressar oposição ao presidente. Os mais velhos, que em geral tendem a ser mais conservadores, disseram com menor frequência que pretendiam demonstrar insatisfação com Trump.
Infográfico mostra o voto para a Câmara como apoio ou oposição a Trump, por idade.
Lara Bernardino – Equipe de Arte/g1
O levantamento destacou o descontentamento dos eleitores com a liderança do presidente. Cerca de seis em cada dez desaprovaram sua atuação na Presidência.
A avaliação das prioridades de Trump também foi majoritariamente negativa: aproximadamente seis em cada dez eleitores disseram que ele dá mais importância aos próprios interesses que aos interesses do país.
Infográfico mostra como eleitores veem os rumos dos EUA
Lara Bernardino – Equipe de Arte/g1
Eleitores consideram insuficiente a fiscalização de um presidente impopular pelo Congresso
A maioria dos eleitores quer que o Congresso exerça mais controle sobre a Presidência, dentro do sistema de freios e contrapesos. Uma ampla maioria também desaprova a atuação do Legislativo.
A pesquisa indica que os eleitores desejam um Congresso mais atuante como poder independente, em pé de igualdade com o Executivo.
Infográfico mostra a avaliação dos eleitores sobre a atuação dos parlamentares para limitar o poder presidencial nos Estados Unidos
Lara Bernardino e Juan Silva – Equipe de Arte/g1
Cerca de sete em cada dez eleitores disseram que o Congresso não faz o suficiente para limitar e fiscalizar o poder presidencial. Aproximadamente dois em cada dez avaliaram que a atuação está na medida certa, enquanto um em cada dez considerou que o Legislativo faz mais do que deveria.
Essa insatisfação não ficou restrita aos democratas: a grande maioria dos independentes e cerca de quatro em cada dez republicanos também disseram que o Congresso não faz o suficiente.
O levantamento reflete um profundo descontentamento tanto com o presidente quanto com o Congresso. Cerca de seis em cada dez eleitores desaprovaram a atuação de Trump, enquanto aproximadamente três quartos desaprovaram o desempenho do Congresso.
Preocupações com democracia e corrupção rivalizam com a economia
A economia foi uma preocupação evidente entre os eleitores, que demonstraram apreensão com os preços elevados da gasolina e dos alimentos.
Mas a pesquisa mostrou que muitos também estão profundamente preocupados com a situação da democracia e com a corrupção no governo.
Cerca de quatro em cada dez eleitores apontaram a economia como o principal problema do país. Aproximadamente três em cada dez escolheram a situação da democracia. Imigração e saúde foram citadas por cerca de um em cada dez eleitores, cada uma, enquanto poucos escolheram política externa ou criminalidade.
Aproximadamente metade dos eleitores afirmou que a corrupção no governo e o custo de vida foram fatores “cruciais” para seu voto no Congresso. Essas proporções superaram as registradas para as políticas de fiscalização da imigração, a guerra no Irã e os centros de dados de inteligência artificial.
A maioria dos eleitores que consideraram a corrupção no governo um fator crucial para o voto apoiou o candidato democrata à Câmara. Cerca de quatro em cada dez disseram ter votado no republicano.
Entre os que apontaram a situação da democracia como o principal problema do país, aproximadamente oito em cada dez votaram no candidato democrata, contra dois em cada dez que escolheram o republicano.
Democratas têm vantagem na avaliação sobre como lidar com os problemas
Os democratas têm ao menos uma pequena vantagem na percepção dos eleitores sobre a capacidade de lidar com vários temas importantes. Ainda assim, uma parcela significativa afirmou não confiar em nenhum dos dois partidos.
Os eleitores disseram, com uma frequência um pouco maior, que os democratas lidariam melhor que os republicanos com a economia e a corrupção no governo, dois assuntos de grande importância nesta eleição.
Os democratas também tiveram uma pequena vantagem em política externa e uma vantagem mais ampla em questões relacionadas a pessoas transgênero e à saúde.
Os eleitores ficaram divididos sobre qual partido lidaria melhor com inteligência artificial e impostos. Já os republicanos tiveram uma pequena vantagem em imigração.
Apesar dessa vantagem relativa em vários temas, o Partido Democrata não é muito mais popular que o Republicano. Pouco menos da metade dos eleitores demonstrou uma visão “um pouco” ou “muito” favorável aos democratas, enquanto cerca de quatro em cada dez avaliaram os republicanos positivamente.
Com informações de Linley Sanders e Humera Lodhi, da Associated Press.
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Fonte: G1