Farra de Flávio com lobistas mistura prazeres pagos e desprezo pela vida

Depois, Flávio agiu como se espera de um convidado agradecido. Levou Maximiano ao presidente do BNDES e participou da reunião, seu único encontro oficial com o banco naquela gestão até então. Na CPI da Pandemia, elogiou a diretora da Precisa por supostamente economizar dinheiro público apesar dos números. E debochou do escândalo, dizendo que não houve corrupção porque nenhum real foi pago. Esqueceu de dizer que o negócio só não se consumou porque um servidor público, Luis Ricardo Miranda, desconfiou e botou a boca no trombone.
Dirão que é moralismo falar das garotas de programa. O problema não é as profissionais do sexo, que estavam ganhando seu dinheiro suado, mas o uso de mulheres como moeda de lobby, revistadas, sem celular, com bolsas confiscadas, conforme relatos ouvidos pela piauí. É a mesma lógica que trata gente como mercadoria e transformou a pandemia em balcão.
Flávio construiu sua candidatura tentando se descolar do pai, apontando ser moderado, vendendo ser o “Bolsonaro que toma vacina”. A denúncia sugere que a diferença era de estilo, não de substância. Jair desdenhava da vacina em público. O filho, segundo a revista, desfrutava em privado da hospitalidade de quem queria lucrar com ela. Um negava a doença, já o outro brindava com quem tentava vender a cura mais cara.
Em julho de 2020, famílias se despediam de seus mortos por videochamada, sem velório, sem abraço. Enquanto isso, o primogênito do presidente tomava sol sem camisa num barco bancado por quem queria vender vacina ao governo do pai, preocupado apenas que algum drone registrasse a cena. Nenhum drone registrou. Mas os 1.110 mortos daquele dia ficaram registrados, e eles não cabem na caixa de um Rolex. Somam-se aos mais de 700 mil mortos na pandemia, mais da metade que podia ser evitada se o clã Bolsonaro não estivesse ao lado do vírus.
Ironicamente, no domingo, os eleitores podem entregar a faixa a quem, quando o país sufocava, escolheu aos prazeres da lancha.
noticia por : UOL




