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domingo, outubro 18, 2026
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Flávio Bolsonaro é investigado no STF por suspeita de lavagem com advogado do caso INSS

A Polícia Federal enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) um pedido de inquérito contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, também investigado pela corporação por envolvimento com fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

No Supremo, foi sorteado para relatar o caso o ministro Alexandre de Moraes. A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.

Procurada, a campanha de Flávio disse à reportagem que o senador não é investigado no Supremo e que os autos que chegaram ao STF ainda não foram convertidos em inquérito, já que ainda não houve manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) ou qualquer decisão judicial a respeito.

Como relator, caberá a Moraes acompanhar e conduzir judicialmente a tramitação do inquérito, autorizando medidas que dependam de decisão judicial —como quebras de sigilo, buscas ou outras cautelares.

Entre bolsonaristas, o magistrado é considerado o “algoz” do ex-presidente Jair Bolsonaro por conta da sua atuação no inquérito das fake news e na trama golpista, que resultou na condenação do ex-chefe do Executivo a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

A investigação teve origem em movimentações relacionadas ao setor de apostas. Na sexta-feira (16), a Folha mostrou que uma empresa do setor, de propriedade de Willer Tomaz, havia pagado voos de Flávio para a Europa em 2025.

A apuração revelou que a empresa atuou como intermediária na compra das passagens aéreas e que teria sido utilizada para custear viagens de caráter pessoal, envolvendo tanto os núcleos familiares de Willer quanto de Flávio.

Segundo a PF, o senador possuía acesso operacional relevante como usuário master em uma conta bancária pertencente a empresa offshore Alcazar Holding, da qual o advogado é sócio. Em maio de 2025, foi solicitada a exclusão do acesso do parlamentar.

A investigação aponta relação de proximidade entre Willer e Flávio. Entre os registros localizados pela PF, constam referências a festas, encontros e reuniões envolvendo os dois.

Quando questionado pela Folha sobre as viagens em 16 de outubro, Flávio afirmou que sua relação com Willer é exclusivamente de amizade.

Candidato à Presidência mais votado no primeiro turno, Flávio vem tentando associar o esquema de desvios dos recursos de aposentados e pensionistas do INSS a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por conta do possível envolvimento do filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”. Contudo, ele próprio mantém relação de proximidade com Willer, que também é investigado no caso.

Willer é investigado sob a acusação de fazer repasses financeiros de dinheiro obtido em fraudes contra a Previdência no escândalo do INSS. Ele também é dono da Rede Loto, primeira bet a conseguir uma licença de operação no país ainda em maio de 2023, emitida pelo governo do Rio de Janeiro.

Em agosto, o advogado foi alvo da Operação Sem Desconto, da PF.

Esta é a segunda investigação da qual Flávio é alvo no STF. O senador também é formalmente investigado no inquérito que apura a produção do filme “Dark Horse”, sobre seu pai, Jair Bolsonaro.

O caso é relatado pelo ministro André Mendonça, indicado por Bolsonaro ao STF. A investigação sobre o financiamento do filme foi aberta em julho, mas só se soube em setembro que Flávio constava entre os investigados.

No caso, a PF pediu a apuração de possível prática de lavagem de dinheiro e corrupção no contexto do financiamento do filme junto ao Banco Master.

Em maio, foi revelado um áudio enviado por Flávio a Daniel Vorcaro, dono do Master, pedindo dinheiro para a produção da obra. O senador negociou com o então banqueiro um repasse de pelo menos US$ 24 milhões (hoje, aproximadamente R$ 122,7 milhões) para a produção.

Em entrevistas para explicar a origem dos recursos do filme, o senador sempre repetiu que se tratava de patrocínio privado.

Antes de o áudio de Flávio a Vorcaro vir a público, o senador negava qualquer relação com Vorcaro. Posteriormente, ele admitiu contato com o ex-banqueiro. No áudio, o filho mais velho de Jair Bolsonaro tratava o empresário por “irmão”.

noticia por : UOL

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