DO REPÓRTERMT
Um laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso apontou graves problemas no sistema de tratamento de efluentes da Suinobras Alimentos durante inspeção realizada em março de 2019.
A empresa é representada nos autos pelo sócio Reinaldo Gomes de Morais, conhecido como “Rei do Porco”. A ação ambiental foi proposta contra a Suinobras e Leandro Cunha Candiotto.
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O relatório da Politec registra biodigestores colapsados, estruturas danificadas, tubulações com vazamentos e efluentes escorrendo a céu aberto. As fotografias anexadas ao processo mostram ainda áreas de vegetação seca ou queimada próximas aos pontos de extravasamento.
Os técnicos descreveram a existência de dejetos em contato com o solo e situações que indicariam frequência e antiguidade dos problemas. Também foram registrados forte odor, formação de espuma e vazamentos próximos às lagoas.
Essas constatações passaram a integrar a investigação sobre a mortandade de peixes registrada entre 16 e 18 de março de 2019 no Rio Paraguai e em seus afluentes.
Segundo o Ministério Público, a elevada concentração de nitrogênio amoniacal, fósforo, sólidos e matéria orgânica poderia provocar uma queda abrupta do oxigênio dissolvido na água, criando condições letais para os peixes.
A documentação citada na ação também relata que a Suinobras já enfrentava problemas ambientais desde 2016. Após uma fiscalização realizada em março de 2019, o empreendimento foi embargado e impedido temporariamente de repor animais no ciclo produtivo.
A própria defesa da Suinobras reconhece que foram constatados vazamentos, falta de manutenção, problemas nos taludes, transbordamento, biodigestores colapsados e defeitos nas lonas de impermeabilização.
A empresa, entretanto, afirma que as irregularidades foram provocadas pela negligência da Brapsi Tecnologias Sustentáveis, contratada em 2017 para reformar as lagoas e instalar novos biodigestores.
Segundo a contestação, a Suinobras havia pago R$ 500 mil à contratada até agosto de 2017, mas os serviços avançavam lentamente. A empresa posteriormente ajuizou uma ação contra a Brapsi por suposto descumprimento do contrato.
A defesa sustenta ainda que os problemas foram resolvidos, que a operação foi regularizada e que os dejetos não teriam alcançado o Rio Paraguai devido às barreiras naturais e curvas de nível existentes entre as lagoas e os corpos hídricos.
O Ministério Público contesta essa versão e afirma que o lançamento de efluentes ocorreu de forma crônica e em quantidade significativa. A responsabilidade definitiva ainda será analisada pela Justiça após a conclusão de uma nova perícia.
FONTE : ReporterMT





