Justiça deixa preso homem que manteve ex amordaçada, acorrentada e dopada por 5 dias

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VINÍCIUS ANTÔNIO

DO REPÓRTERMT

A Justiça de Goiás converteu em preventiva, hoje (22), a prisão de Ailton Rodrigues de Souza, acusado de manter a ex-esposa, Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, em cárcere privado durante cinco dias em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. A jovem foi resgatada na sexta-feira (21), acorrentada e amarrada dentro de uma casa.

A decisão foi tomada pelo juiz Cristian Assis, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Ceres, após audiência de custódia. Conforme o magistrado, a vítima teria sido submetida a “ameaças reiteradas, constrangimento físico e restrição da liberdade”. A defesa pediu liberdade provisória com medidas cautelares, mas a solicitação foi negada.

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Ao manter Ailton preso, o juiz considerou a necessidade de proteger a vítima e o risco de novos crimes. “Vislumbro, na espécie, a imprescindibilidade de se resguardar a integridade física e emocional da vítima, bem como a ordem pública”, afirmou na decisão.

Entenda

Conforme noticiou o , Emiliane estava desaparecida desde segunda-feira (17), quando saiu de casa para uma consulta médica. Imagens de câmeras de segurança mostraram a jovem deixando a clínica após chegar ao local de mototáxi. Segundo a Polícia Militar de Goiás (PMGO), ela teria sido sequestrada pelo ex-marido depois de sair do estabelecimento.

O suspeito foi localizado por policiais da Companhia de Policiamento Especializado (CPE). Durante a abordagem, conforme a PM, ele tentou fugir e resistiu à prisão. A partir de endereços relacionados a Ailton, os militares chegaram à casa onde Emiliane era mantida presa.

No imóvel, a vítima foi encontrada presa com correntes de ferro e cordas. Segundo a polícia, ela também era obrigada a usar uma máscara para evitar que os vizinhos ouvissem seus gritos e teria sido mantida sedada. Após o resgate, Emiliane relatou ainda ter sido estuprada diversas vezes durante os cinco dias de cárcere.

A polícia apreendeu no endereço uma arma de fogo, algemas, correntes, cordas, sedativos e um veículo. O material foi encaminhado para auxiliar nas investigações.

Após receber alta, Emiliane publicou um vídeo nas redes sociais neste sábado. Com ferimentos visíveis no rosto, ela afirmou ter sofrido outras agressões durante o período em que esteve presa.

“Eu estou toda queimada por dentro, porque ele enfiava panos com ácido na minha boca”, relatou.

A jovem também contou que havia terminado o relacionamento com Ailton em dezembro de 2025 e que ele não aceitava a separação.

“Estou muito ferida”, disse ao falar sobre o estado em que ficou após as agressões.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Goiás.

Denuncie

A violência contra a mulher não pode ser ignorada nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas, e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital: https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/.

Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.

O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.

FONTE : ReporterMT