Psicólogo: Pais precisam mudar abordagem para resgatar filhos do isolamento causado pela tecnologia

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ANA CRISTINA VIEIRA

DO REPÓRTERMT

As ferramentas tradicionais de criação e a imposição de regras familiares já não surtem o mesmo efeito nas novas gerações. Em entrevista ao RepórterMT, o psicólogo Afro Stefanini alertou que o autoritarismo rígido do passado deve dar lugar a estratégias de aproximação, diálogo verbal e demonstração explícita de afeto para resgatar os jovens do isolamento, especialmente o causado pelo uso excessivo de tecnologia.

Na hora dos reveses da vida não vai ser lembrando do videogame que eu vou conseguir lidar com isso. Não é na hora dos desafios emocionais, na hora que eu preciso pagar uma conta, na hora que eu fico doente, não vai ser lá no PlayStation que eu vou lembrar. (…) Vai ser das conversas que eu tive com quem me apoia, com quem confia em mim, com quem acredita em mim“, apontou.

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Para os pais que enfrentam dificuldades para se conectar com os filhos, o psicólogo aconselha a não carregarem culpa, mas sim agirem de forma prática, inserindo-se na realidade do jovem antes de impor limites. Se um filho passa horas jogando, por exemplo, a abordagem não deve ser agressiva.

Não chega lá e fala assim para ele: ‘Sai desse videogame’. Primeiro senta com ele no sofá, joga ali 5 minutos de videogame com ele e ali já começa a conversa e conduz para ele sair do videogame. Fala: ‘Filho, vamos conversar agora um pouquinho alguma coisa aqui, ó. Vem comigo na cozinha, vamos preparar alguma coisa’. Ou seja, é preciso criar um processo de disrupção daquele hábito nocivo“, orientou.

A mudança de comportamento entre as épocas exige uma postura diferenciada dos pais atuais. Essa necessidade de afeto físico esbarra em uma carência generalizada e, muitas vezes, na própria dificuldade dos homens em demonstrar carinho de forma sensível. Stefanini propõe que a afetividade seja verbalizada e consentida, ajudando a quebrar barreiras.

“Terminou de conversar: ‘Posso te dar um abraço?’. Seu filho tem dificuldade, verbaliza: ‘Posso te dar um abraço?’. Ele vai ficar até estranho, vai falar: ‘Como assim?’. ‘Eu queria te dar um abraço, meu filho, tô com saudade de você'”.

De acordo com o psicólogo, esse cuidado prático valida todo o esforço financeiro e profissional feito fora de casa.

“O filho vai entendendo que esse pai que está ali trabalhando muito, sabe, dias e noites por ele, pela família, mas aí ele vai entendendo que esse pai não é só lá fora, mas é aqui na relação, que ele se importa com ele. Esse é o ponto central, a pergunta é: será que o meu pai se importa comigo?” .

Veja vídeo:

Confira a entrevista na íntegra:

FONTE : ReporterMT