Amanda Péchy
VEJA
À medida que avança o trabalho de socorristas em busca de sobreviventes, o número de mortos pelo terremoto de magnitude 7,4 que abalou a Colômbia, o mais forte registrado no país neste século, também sobe. Nesta terça-feira, 11, autoridades afirmaram que já são ao menos 224 as vidas ceifadas pela tragédia que também deixou mais de 600 feridos, em especial devido ao colapso de dezenas de construções, sob as quais equipes de emergência ainda procuram pessoas soterradas.
A contagem anterior, divulgada na noite de segunda-feira pelo governo de Abelardo de la Espriella, presidente empossado há três dias, contabilizava 169 mortos. Grande parte das mortes se concentra na região metropolitana de Pereira, localizada na região produtora de café da Colômbia; a cidade de Cali também sofreu graves danos. A dimensão da emergência tem um impacto urbano marcante: 97,6% das vítimas fatais, até o momento, estão concentradas em quatro capitais.
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Pereira, onde 72 morreram, segue sem energia elétrica, enquanto dezenas de voluntários procuram com lanternas sinais de vida sob as ruínas dos prédios, em meio aos 47 tremores secundários registrados pela autoridade geológica colombiana. Também houve danos na infraestrutura de saúde da cidade, interrupções no Aeroporto Matecaña e dificuldades nas comunicações.
“É muito angustiante, não tenho palavras para tudo o que está acontecendo neste momento”, disse à agência de notícias AFP Juana Marín, 25 anos, diante da principal praça da cidade. “Eu me sinto derrotada. É triste demais ver a cidade inteira assim, sabendo que ainda há gente com vida”, acrescentou.
Espriella declarou estado de emergência e se comprometeu a realizar uma operação de resgate coordenada.
Buscas continuam
O epicentro foi registrado perto de San José del Palmar, em Chocó, uma região pobre de difícil acesso devido aos danos nas rodovias no oeste colombiano. A cidade, até o momento, reportou 13 mortos, enquanto avançam os trabalhos de resgate. “Eu vi pessoas saírem nuas, pessoas se jogavam de suas casas, desesperadas”, disse Wilmer Cuesta, estudante de direito que viu o desastre e decidiu auxiliar no resgate.
A governadora de Chocó, Nubia Carolina Córdoba, afirmou que pelo menos 14 pessoas morreram, a maioria delas em Quibdó. No estado vizinho de Caldas, a capital Manizales registrou ao menos 5 mortos — a cidade viveu drama semelhante em 1999, quando mais de 1. 100 morreram em outro terremoto.
Em Cali, a terceira cidade da Colômbia e uma das mais afetadas, com 95 mortos, socorristas removem os escombros com as próprias mãos em busca de sinais de vida.
“Chegar aqui foi impressionante, parecia o fim do mundo, os carros e as motos na contramão, buscando entes queridos”, disse à AFP o socorrista Nelson Moreno, que chegou para tentar resgatar uma amiga sob dois prédios de cinco andares colapsados. O pai dela e o bebê da mulher estão feridos, mas saíram com vida.
Os socorristas montam correntes humanas para tirar os destroços do edifício, com picaretas e ferramentas básicas. A cada tanto, gritam “silêncio” para poder ouvir os sinais de vida dos soterrados. A cada tanto, gritam “silêncio” para poder ouvir os sinais de vida dos soterrados. A cidade tem relatos de pelo menos 239 pessoas presas entre os escombros.
“Estamos fazendo todos os trabalhos necessários para tirar as pessoas com vida. Veio muita gente, com equipamentos, com comida, ajudando os bombeiros, ajudando as pessoas”, disse à AFP Andrés Felipe Mejía, outro socorrista voluntário.
Segundo os dados mais recentes, além das vítimas, há 165 prédios colapsados, ao menos 18 centros de saúde avariados e 52 instituições de educação afetadas. Apenasem Cali, 188 pessoas são consideradas desaparecidas. Seis aeroportos sofreram problemas em suas infraestruturas e ficaram inoperantes para voos comerciais.
FONTE : ReporterMT





