Aposentados começam a receber 13º nesta sexta (24); veja o que fazer com o dinheiro

0

A primeira parcela do 13º para aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) começa a ser paga nesta sexta-feira (24) e segue até 8 de maio. Os primeiros pagamentos são para beneficiários que recebem o piso e o dinheiro para quem ganha acima do salário mínimo será pago a partir de 4 de maio.

Dados do INSS de janeiro indicam que cerca de 63,4% dos segurados recebem até um salário mínimo (R$ 1.621) por mês. Outros 11,8 milhões ganham acima do piso nacional.

Segundo Myrian Lund, professora de administração da FGV (Fundação Getulio Vargas), o valor do 13º, que poderia funcionar como um bônus, muitas vezes acaba sendo absorvido por contas atrasadas. Para quem vive com até um salário mínimo, a renda costuma ser inteiramente comprometida com despesas básicas de sobrevivência.

Veja o calendário de pagamento do 13º do INSS em 2026

Para benefícios iguais ao salário mínimo, primeira e segunda parcelas














Final do benefício Primeira parcela Segunda parcela
1 24/abr 25/mai
2 27/abr 26/mai
3 28/abr 27/mai
4 29/abr 28/mai
5 30/abr 29/mai
6 04/mai 01/jun
7 05/mai 02/jun
8 06/mai 03/jun
9 07/mai 05/jun
0 08/mai 08/jun

Para benefícios acima do salário mínimo, primeira e segunda parcelas









Final do benefício Primeira parcela Segunda parcela
1 e 6 04/mai 01/jun
2 e 7 05/mai 02/jun
3 e 8 06/mai 03/jun
4 e 9 07/mai 05/jun
5 e 0 08/mai 08/jun

De acordo com pesquisa da Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, 46% dos aposentados entrevistados relatam sentir maior instabilidade financeira após parar de trabalhar. Nesse contexto, a primeira parcela do 13º pode representar uma oportunidade para organizar dívidas ou formar uma reserva.

O levantamento também mostra que metade dos aposentados já precisou recorrer ao crédito para pagar despesas, enquanto 35% buscam empréstimos especificamente para cobrir gastos essenciais.

Levantamento da Nexus, em parceria com a ABBC (Associação Brasileira de Bancos), com 1.200 tomadores de empréstimo consignado do INSS, mostra que 56% recorreram à modalidade por necessidade financeira, o que reforça o uso do crédito como solução emergencial no orçamento familiar.

Entre os principais motivos citados estão o pagamento de dívidas atrasadas, como aluguel, telefone e outros empréstimos (35%), a quitação de contas do dia a dia, como água, luz, telefone e internet (34%), e despesas médicas, incluindo exames, cirurgias e medicamentos (28%).

No caso dos beneficiários do INSS, o limite da renda que pode ser comprometido com parcelas de crédito consignado é de 45%. Nessa modalidade, as parcelas são descontadas diretamente do benefício, o que reduz o risco de inadimplência para os bancos.

O governo planeja lançar um novo programa de negociação de dívidas, com expectativa de permitir renegociar débitos com descontos de até 90%.

Para aposentados que estão endividados, Myrian Lund sugere usar o 13º para quitar pendências quando o programa estiver funcionando. “Gosto sempre de usar o dinheiro para liquidar a dívida e não renegociar em várias prestações. É interessante tentar usar tudo que é possível, para liquidar aproveitando que vai ter um desconto de 90%, você só vai pagar 10%”, afirma.

A professora aconselha analisar os gastos mensais antes de solicitar um empréstimo e avaliar o que de fato cabe no orçamento, seja com a renda regular ou com o uso do 13º. Caso não haja dívidas, a recomendação é investir em CDBs com liquidez diária, que permitem aplicações a partir de R$ 1.

Reinaldo Domingos, presidente da Abefin (Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira), pondera que quitar dívidas pode ser uma boa decisão, mas não deve ser automática. Segundo ele, o principal critério é o custo da dívida: débitos com juros mais altos, como cartão de crédito e cheque especial, tendem a crescer rapidamente e devem ser priorizados.

Ainda assim, ele ressalta que nem sempre é necessário quitar tudo de uma vez. O 13º pode ser usado como ferramenta de negociação, já que muitas instituições oferecem descontos para pagamento à vista ou melhores condições de parcelamento. Também é essencial evitar comprometer todo o valor sem ajustar o orçamento, para não voltar a ficar inadimplente nos meses seguintes.

Qual deve ser a prioridade do uso do 13º?

Domingos afirma que não há uma regra única para o uso do 13º, já que a prioridade depende da situação de cada pessoa.

Segundo ele, o primeiro passo é fazer um diagnóstico financeiro: entender renda, gastos, dívidas e compromissos futuros. “A partir desse raio-X financeiro, é possível definir prioridades de forma mais consciente. Em muitos casos, o mais adequado não será concentrar o recurso em apenas uma finalidade, mas dividir o valor entre diferentes necessidades”, diz.

Ele afirma que o principal é evitar o uso impulsivo. Quando bem planejado, o 13º pode deixar de ser um alívio momentâneo e contribuir para a estabilidade financeira.

Para quem vive com renda limitada, o desafio é maior, já que o orçamento costuma estar comprometido com despesas essenciais. Nesse cenário, uma alternativa sugerida pelo especialista é dividir o valor entre três frentes: necessidades imediatas, pagamento de dívidas e alguma reserva financeira. As despesas básicas devem vir primeiro, especialmente em casos de demandas reprimidas, como saúde, alimentação ou manutenção da casa.

Ao mesmo tempo, destinar uma parte, ainda que pequena, para uma reserva pode fazer diferença ao longo do tempo, reduzindo a necessidade de recorrer a créditos emergenciais.

Se houver espaço no orçamento, Domingos diz que 13º pode ser direcionado para a construção de uma reserva, que é um dos usos mais estratégicos do recurso, especialmente para aposentados, que têm menor margem para lidar com imprevistos.

Para quem deseja investir, o mais indicado são aplicações conservadoras, com segurança e liquidez. Produtos como CDBs com liquidez diária e Tesouro Selic permitem resgate rápido em caso de necessidade.

O especialista diz que a escolha deve considerar o objetivo do dinheiro: se ele pode ser usado a qualquer momento, a liquidez é essencial; se houver prazo, é possível buscar alternativas com um pouco mais de rentabilidade dentro de um risco controlado.

noticia por : UOL