Linha em Y, atenção em dobro: o desafio do novo monotrilho de São Paulo

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Desafios técnicos e impacto para o passageiro

O formato em “Y” reduz a capacidade de transporte da linha. O professor Marcos Kiyoto de Tani e Isoda, doutor em planejamento urbano pela FAU-USP, explica que a divisão do percurso afeta a oferta de trens. “Quando você divide a linha em dois, você divide a capacidade pela metade”, afirma.

O passageiro vai precisar redobrar a atenção na hora do embarque. Marcos lembra que o usuário terá de conferir os letreiros e avisos sonoros para saber o destino exato de cada trem, algo comum em cidades como Nova York e Londres, mas que adiciona complexidade à rotina do paulistano.

É necessário prestar atenção para que lado que vai, porque pode ir para o lugar errado. É uma coisa a mais para o usuário tomar cuidado. Mas, uma vez que a linha se torna operacional e as pessoas usam no dia a dia, elas aprendem a fazer isso. É igual esperar o seu ônibus certo e não entrar em qualquer um. Marcos Kiyoto de Tani e Isoda

O monotrilho torna a divisão de rotas ainda mais complexa. Diferente dos trilhos metálicos convencionais, o sistema usa uma viga-guia de concreto robusta, o que transforma o desvio em um equipamento grande e difícil de encaixar na estrutura. Marcos avalia que a escolha tenta atender dois objetivos territoriais: ligar o aeroporto e, futuramente, o Jabaquara.

A operação exige coordenação rigorosa para manter a regularidade. O especialista diz que a bifurcação não é rara no mundo, mas em redes de alta demanda como a de São Paulo, a entrada e saída alternada de trens pode prejudicar o fluxo se não for bem administrada.

noticia por : UOL