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O Pentágono avalia priorizar a defesa do território americano e do hemisfério ocidental em sua nova estratégia de defesa nacional, deixando a contenção da China e da Rússia em segundo plano.
Segundo veículos de imprensa americanos, um rascunho do plano teria sido entregue ao secretário Pete Hegseth na semana passada. O documento propõe romper com a linha de governos anteriores que trataram Pequim como rival estratégico.
- A guinada foi interpretada por militares chineses como sinal de retração do poder global dos EUA, com impacto direto sobre Taiwan, que pode ver Washington menos disposto a confrontar Pequim.
Comentários publicados na imprensa asiática apontam que a política externa do segundo governo Trump tem combinado tarifas contra aliados e pressões militares, alimentando a percepção de inconsistência.
Esse reposicionamento estratégico acontece em meio à exibição de força de Pequim, que apresentou novos armamentos em setembro, durante um grande desfile militar pelos 80 anos da vitória na chamada Guerra da Resistência, contra a ocupação do Japão, e na Segunda Guerra.
Por que importa: a mudança pode abalar a confiança de aliados dos EUA no Indo-Pacífico e abrir espaço para Pequim enfraquecer a contenção americana.
Taiwan corre o risco de depender de um parceiro crucial cada vez mais voltado para o cenário doméstico. Isso pode diminuir o poder de dissuasão de Washington em caso de uma incursão militar chinesa na ilha.
Pare para ver
Pôster de propaganda produzido em 1970 pelo Grupo de Revolução Artística do Quinto Batalhão do Sistema Cultural de Xangai com o slogan “Em nome do povo, prepare-se para a guerra, prepare-se para a fome”.
o que também importa
★ O investimento direto chinês no exterior atingiu US$ 192,2 bilhões (R$ 1,04 trilhão) em 2024, segundo boletim divulgado nesta segunda (8) pelo Ministério do Comércio e pela Administração Estatal de Câmbio. O número representa alta de 8,4%, com estoque de US$ 3,14 trilhões (R$ 17 trilhões), mantendo o país no top 3 global. De acordo com o relatório, empresas chinesas operam em 190 países, com 52 mil subsidiárias. Além disso, 80% dos aportes foram para a Ásia, com destaque para a ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), que teve alta de 36,8%, além de forte expansão na Oceania (+113,7%), Europa (+25,3%) e América Latina (+15,4%).
★ Os Estados Unidos avaliam substituir autorizações indefinidas de fornecimento de insumos para as fábricas chinesas da Samsung e da SK Hynix por licenças anuais, segundo a agência de notícias Bloomberg. A proposta do Departamento de Comércio deve prever que as empresas solicitem aprovações anuais para quantidades específicas de equipamentos restritos. Embora garanta continuidade operacional, a medida amplia a burocracia e gerou reações mistas em Seul.
★ O Paquistão e a China assinaram memorandos de entendimento avaliados em US$ 4 bilhões (R$ 22 bilhões) para ampliar a cooperação agrícola. A visita do premiê paquistanês, Shehbaz Sharif, reuniu grandes empresas dos dois países, incluindo setores de irrigação, sementes e maquinário agrícola. Paralelamente, a chinesa PIESAT firmou contrato de US$ 406 milhões com Islamabad para desenvolver uma constelação de satélites de comunicação e sensoriamento remoto, fortalecendo a segurança alimentar e tecnológica paquistanesa.
Fique de olho
O Legislativo chinês abriu na segunda (8) a primeira revisão em duas décadas da lei de comércio exterior. A mudança daria cobertura legal a sanções contra empresas e indivíduos estrangeiros vistos como ameaça à segurança nacional, ampliando o arsenal usado em disputas comerciais.
Além das contramedidas, o projeto cria mecanismos de assistência a setores atingidos e prevê medidas para proteger cadeias de suprimento. O texto mantém linguagem vaga, permitindo desde controles de exportação até investigações contra multinacionais.
Com exportações chinesas em desaceleração, a revisão busca preparar o país para um ambiente de confronto prolongado. Além das novas barreiras impostas por Donald Trump, a União Europeia taxou veículos elétricos chineses, ao que Pequim respondeu com tarifas sobre carne suína europeia. Na semana passada, o México também anunciou que cogita adotar tarifas à China.
Por que importa: a reforma mostra que Pequim quer transformar medidas de retaliação em política de Estado, reduzindo espaço para contestação internacional e dando mais previsibilidade ao setor privado doméstico.
Para parceiros comerciais, o risco é ver a China usar instrumentos legais como arma diplomática, ampliando a incerteza regulatória para multinacionais instaladas no país.
Para ir a fundo
O Centro Empresarial Brasil-China lança amanhã (10) às 10h o estudo “Análise Socioeconômica do Comércio Brasil-China”, uma publicação produzida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio que mapeou os desdobramentos sociais da relação comercial entre os dois países. Os interessados podem se inscrever para o evento aqui.
Começa neste mês a Mostra de Cinema Chinês, realizada pelo Instituto Confúcio na Unesp em parceria com o Centro Cultural São Paulo (CCSP). Celebrando dez anos, o evento terá programação divulgada aos poucos no perfil da organização no Instagram. Interessados podem ter mais informações aqui.
noticia por : UOL




