Início VARIEDADES Youtuber conhecido por contestar Deus anuncia que se converteu ao catolicismo

Youtuber conhecido por contestar Deus anuncia que se converteu ao catolicismo

Joseph Schmid ficou conhecido por fazer perguntas que os religiosos preferiam não responder. Em seu canal no YouTube, Majesty of Reason, o filósofo e doutorando na Universidade de Princeton passou anos examinando vários argumentos usados para defender a existência de Deus — e apontando suas fragilidades. O problema do mal, a evolução, o sofrimento dos animais, a existência da consciência, o ajuste fino do universo e os argumentos cosmológicos estavam entre os temas de sua investigação.

Schmid não era um ateu militante. Sua posição era a de um agnóstico que considerava insuficientes tanto as provas apresentadas pelos fiéis quanto as certezas dos ateus. Agora, depois de anos de estudo, Schmid anunciou em seu canal que havia retornado ao catolicismo — a religião na qual foi criado e que havia abandonado na adolescência.

Foi justamente por levar os argumentos religiosos a sério que sua mudança de posição chamou atenção. A conversão não foi descrita por Schmid como uma experiência súbita ou como uma decisão tomada apesar de suas dúvidas. Ao contrário: ele afirma ter chegado à fé justamente ao levar sua investigação até o limite.

O caminho, segundo seu próprio relato, passou primeiro por uma mudança em sua avaliação da existência de Deus. Depois, por uma conclusão ainda mais específica: a de que algumas evidências que havia estudado apontavam não apenas para o teísmo, mas para o cristianismo e, finalmente, para a Igreja Católica.

A evolução das espécies e a perda da fé

Uma das razões mais fortes para Schmid ter abandonado a fé foi a evolução das espécies. Essa objeção ganhou força na escola, ainda na sétima série, durante as aulas de Ciências e da Teoria da Evolução.

O problema não era simplesmente aceitar que as espécies evoluem. Era explicar por que um Deus perfeitamente bom teria escolhido um processo marcado por milhões de anos de predação, doença, fome, extinção e sofrimento animal.

Um animal sendo devorado vivo por outro é apenas um exemplo entre incontáveis episódios de dor que ocorreram muito antes do aparecimento do homem, segundo o evolucionismo.

Para o jovem Schmid, isso parecia incompatível com a existência de um Deus onipotente e perfeitamente bom, algo que ele trazia consigo de sua formação religiosa familiar. O problema do sofrimento animal tornou-se, assim, uma das objeções mais fortes de sua filosofia contra o teísmo.

Seguindo essa linha de pensamento, Schmid não precisava provar que Deus e o sofrimento eram logicamente incompatíveis. Bastava argumentar que, se Deus existisse, seria improvável encontrarmos um mundo repleto de dor e sofrimento.

Durante muito tempo, essa objeção teve peso suficiente para afastá-lo da fé. Depois, porém, ele começou a olhar para o problema de outra maneira.

O fato de não conseguir compreender por que Deus permitiria determinado sofrimento não significava necessariamente que Deus não tinha uma razão para permiti-lo. Essa é uma das ideias por trás do chamado teísmo cético. Em vez de simplesmente adotar essa resposta e encerrar o assunto, Schmid foi além. O filósofo passou a comparar o problema do mal com o conjunto das evidências a favor do teísmo.

O universo começou a pesar na balança

Schmid conta que entraram nessa avaliação vários argumentos sobre a contingência, a existência de uma realidade necessária, a consciência e a moralidade objetiva. Ele também passou a levar em conta o chamado ajuste fino: a aparente precisão de determinadas condições físicas necessárias para que o universo produza estrelas, elementos químicos complexos e vida.

De acordo com os cientistas, por exemplo, a Terra está na única posição possível – entre todas as órbitas de todos os planetas – para a criação e a manutenção da vida. Um pouco mais próximo do Sol e as altas temperaturas tornariam a vida inviável. O mesmo vale se a Terra se afastasse de sua estrela: uma era glacial extrema e eterna não permitiria a existência de seres vivos.

Nenhum desses argumentos prova sozinho que Deus existe. Mas as evidências passaram a se acumular. O sofrimento animal pesava contra a existência de um ser superior onipotente e onisciente. Outros aspectos da realidade, na avaliação de Schmid, começaram a pesar a favor.

Contudo, para ele ainda havia uma distância enorme entre admitir que Deus poderia existir e tornar-se um católico.

Relatos documentados de milagres fizeram a diferença para o filósofo

A segunda parte da investigação foi decisiva para que o filósofo retomasse sua linha de fé. Schmid passou a estudar relatos de milagres e fenômenos sobrenaturais: Lourdes, Fátima, aparições marianas, milagres eucarísticos e, principalmente, os fenômenos associados a Padre Pio.

No último mês de fevereiro, Schmid passou cerca de quatro horas discutindo esses casos com Ethan Muse, um apologista católico. Segundo seu relato, a conversa foi decisiva. O acúmulo de testemunhos, documentos e fenômenos que ele considerava difíceis de explicar naturalmente começou a alterar novamente seu cálculo.

No dia seguinte, fez uma confissão geral. Agora, no mês de agosto, Schmid tornou pública sua conversão. “Trago boas novas! Deus existe. Cristo é o Senhor, e Ele estabeleceu a Igreja Católica. Não estou brincando. Acabei de me converter ao catolicismo”, anunciou em um vídeo que acumulou mais de 100 mil visualizações em dois dias.

A conversão de Schmid não nasceu de uma suposta descoberta de que a ciência estava errada. Ela foi formada a partir da conclusão de que as evidências que o filósofo considerava contrárias ao teísmo já não eram tão fortes quanto as evidências a favor de Deus. E os milagres fizeram essa investigação avançar mais um passo.

Milagre de Santa Maria Goretti foi decisivo na conversão

Entre os episódios que mais impressionaram o filósofo está a história de Santa Maria Goretti. Aos 11 anos, ela foi morta com 14 facadas após não ceder às investidas sexuais de um vizinho, de 20 anos. Em seu leito de morte, a menina perdoou o agressor e ofereceu seu sofrimento em sacrifício.

O agressor, identificado como Alessandro Serenelli, foi preso e passou os primeiros anos na cadeia tomado por ódio, ressentimento e violência. Contudo, após ter um sonho no qual a santa lhe entregava, um a um, 14 lírios brancos (que ele interpretou como o perdão para cada uma das 14 facadas que desferiu), o assassino acordou completamente transformado. Ele se confessou com um padre e mudou radicalmente de vida.

Para Schmid, a história teve um efeito diferente dos argumentos metafísicos. Não era uma questão de contingência, probabilidade ou lógica. Era o exemplo concreto de uma concepção de santidade. O filósofo definiu essa história como um exemplo profundo e belíssimo de perdão, amor e pureza.

O filósofo afirma que, para ele, a fé deixou de ser um conjunto de argumentos intelectuais. Em seu relato, ele conclui que por mais fortes que sejam os argumentos contrários, o conjunto de evidências a favor da existência de Deus é maior. O filósofo conta que a partir da documentação dos milagres, passou a sentir um apelo pessoal e espiritual para a santidade.

Ao se deparar com o testemunho da jovem, que antes de morrer desejou que seu assassino se encontrasse com ela no Paraíso, Schmid disse: “O que quer que ela tenha, eu quero um pouco disso”.

A conversão de Joe Schmid acaba sendo mais interessante do que uma simples história de um cético que “encontrou a fé”. É a história de alguém que passou anos procurando razões para não acreditar em Deus, mas que acabou concluindo que, consideradas em conjunto, as evidências apontavam na direção contrária.

noticia por : Gazeta do Povo

Sair da versão mobile