Varizes são difíceis de ignorar: essas veias dilatadas e retorcidas parecem saltar sob a pele e, para muita gente, causam muito desconforto. São mais comuns nas pernas, tornozelos e pés, mas também podem aparecer na pelve e em outras regiões do corpo.
Até 30% dos adultos têm varizes, mas elas “não são uma ameaça à vida nem ao membro”, diz Faisal Aziz, chefe de cirurgia vascular da Penn State Health, nos Estados Unidos. Algumas mudanças simples de hábitos aliviam os sintomas e evitam que o quadro piore, mas normalmente não fazem as veias já existentes desaparecerem.
Reportagem do The New York Times ouviu especialistas sobre as causas das varizes e quando é hora de procurar um médico.
O que causa as varizes?
As artérias levam sangue do coração para o corpo, e as veias trazem esse sangue de volta. Mas essa tarefa é mais difícil nas pernas, onde o sangue precisa subir contra a gravidade, explica Aziz.
Por isso, o corpo depende de um sistema de duas partes: ao caminhar, os músculos da panturrilha comprimem as veias das pernas e empurram o sangue para cima, enquanto válvulas unidirecionais impedem que ele volte a descer, afirma Isabella Kuo, cirurgiã vascular do Centro Médico da Universidade da Califórnia em Irvine.
As varizes se formam quando essas válvulas enfraquecem ou deixam de fechar direito. O sangue se acumula nas pernas, a pressão aumenta e as veias se dilatam.
O histórico familiar é o principal fator de risco, segundo Aziz, mas envelhecimento, excesso de peso e profissões que exigem longos períodos sentado ou em pé também aumentam as chances. Mulheres têm mais propensão a desenvolver varizes, e embora as razões não sejam totalmente claras, terapia de reposição hormonal e gravidez provavelmente têm influência, diz Kuo.
Como muitos desses fatores estão fora do controle da pessoa, há pouco o que fazer para prevenir o surgimento das varizes. Mas manter-se ativo, controlar o peso e fazer pausas em períodos longos de imobilidade ajudam a reduzir a sobrecarga.
Varizes são perigosas?
Se as varizes não doem nem incomodam, está tudo bem em ignorá-las, diz Angela Kokkosis, diretora do centro de tratamento de varizes da Stony Brook Medicine. Mesmo assim, muitos casos apresentam sintomas e merecem avaliação médica.
O acúmulo de sangue nas veias pode causar dor, sensibilidade e sensação de peso nas pernas. Se a pressão permanecer elevada, líquido e glóbulos vermelhos podem vazar para o tecido ao redor, afirma Kokkosis, provocando inchaço, coceira, ressecamento e manchas na pele. Em casos raros, sem tratamento, as varizes podem evoluir para úlceras, diz Aziz.
As varizes também estão associadas a maior risco de trombose venosa profunda, um coágulo sanguíneo potencialmente perigoso. Por isso, inchaço ou dor súbitos em apenas uma perna —especialmente após longos períodos sentado, como em um voo intercontinental— merecem atenção imediata.
O que fazer em caso de varizes?
As varizes não têm cura, mas os médicos recomendam começar por mudanças simples que ajudam a retardar a progressão da condição.
O objetivo é facilitar o retorno do sangue para cima, diz Kokkosis. Caminhar um pouco ou flexionar os pés à mesa de trabalho —pelo menos uma vez por hora— ajuda a manter os músculos da panturrilha ativos. Ao sentar ou deitar, os médicos também recomendam elevar as pernas por cerca de 15 minutos de cada vez.
Usar meias de compressão durante o dia também ajuda. Elas aplicam pressão externa nas pernas, contrapondo o efeito da gravidade e reduzindo o acúmulo de sangue. As meias são uma das ferramentas mais eficazes para aliviar os sintomas, diz Aziz, mas podem ser desconfortáveis, especialmente em dias quentes.
Há formas de tornar o uso das meias mais tolerável. A maioria das pessoas não precisa da versão mais forte, que cobre até a coxa; meias até o joelho, com compressão moderada, costumam funcionar bem, diz Aziz. E quem tem dificuldade de usá-las todos os dias pode ao menos priorizar os dias de maior tempo sentado ou em pé, recomenda Kokkosis.
Não há remédios de venda livre aprovados pela FDA (Food and Drug Administration), agência regulatória dos Estados Unidos, para tratar varizes. Mas alguns estudos sugerem que suplementos como a fração flavonoica purificada micronizada e o extrato de semente de castanha-da-índia podem aliviar dor, peso e inchaço nas pernas, diz Kuo —embora não substituam as mudanças de hábito.
Quem apresenta dor e outros sintomas por três a seis meses, ou desenvolve complicações como manchas na pele ou úlceras, deve procurar um especialista em varizes, orienta Aziz.
Depois de descartar outros problemas, o médico pode fechar as veias problemáticas com calor, cola cirúrgica ou solução química —ou removê-las cirurgicamente. O procedimento melhora tanto a aparência das varizes quanto o peso e a dor nas pernas.
Mas vale lembrar que varizes são uma condição crônica. As veias tratadas podem eventualmente reabrir, e a cirurgia não elimina a tendência do corpo de formar novas varizes no futuro.
“Muitas vezes, quem trata as varizes volta anos depois para tratar mais veias, e anos depois disso para tratar outras ainda”, diz Aziz. “Não existe cura.”
noticia por : UOL
