Início VARIEDADES Tudo isso para quê, Daniel Vorcaro?!

Tudo isso para quê, Daniel Vorcaro?!

Banqueiro preso. Seu (dele) capanga morto. Ministro do STF envolvido. Parece. Conversinha ao pé do ouvido com o Lula. Jatos particulares. Jantares em NY. Passeios de helicóptero. Resort de luxo. Brega, mas de luxo. Roupas relógios caros. Contas bancárias de dez dígitos. Ou onze. Orgias em Trancoso e socos na parede do xilindró.

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As notícias sobre o escândalo do Banco Master e Daniel Vorcaro, o capo di tutti capi, se sucedem, quase sempre com ênfase no medo e na chantagem. Mas principalmente em tudo aquilo que o dinheiro pode comprar e que não passa de facetas variáveis de um mesmo ídolo: o prazer.

Ralé

Não é um prazer qualquer, discreto e íntimo. Não! É um prazer que precisa ser mostrado, quando não esfregado na cara da ralé. Dessa gente honesta e trabalhadora, mas em essência perdedora aos olhos de quem se acha esperto demais para viver uma vida simples e digna, talvez até sofrida, com sacrifícios, dias bons e outros ruins, mas essencialmente simples e digna.

Ao passar os olhos pelas notícias que tentam de todas as formas despertar minha raiva e até minha inveja da supostíssima esperteza de Daniel Vorcaro e sua gangue, me pergunto: “Tudo isso para quê?” Para quê, meu povo?! Tudo isso para quê, meu Deus?!

Complexo de inferioridade

É para sentir uma cosquinha na genitália, por acaso? Para mandar e ver os outros obedecendo? Ou seria para despertar inveja? É para compensar algum tipo de complexo de inferioridade? Para se vingar? E, em tendo Daniel Vorcaro formação evangélica, é para exibir uma suposta e herética predileção de Deus?

Perdoe-me a ingenuidade assumida. Mas não consigo entender. Ou melhor, minha compreensão dessas coisas vai até certo ponto. Claro que deve ser bom, de vez em quando, ir a um restaurante sem se preocupar com a conta. Ou, tendo necessidade, chegar mais rápido do que pelos meios de transporte convencionais. Claro que é legal, e sobretudo muito humano, querer satisfazer seus desejos no instante em que eles aparecem.

Dinheiro, dinheiro, dinheiro

Mas perder a Eternidade (ou a oportunidade da Eternidade) por isso? Por isso que se sabe errado? Ou talvez não seja preciso ir tão longe assim. Perder a liberdade por isso? A tranquilidade? Ora, perder a honra e a admiração verdadeira de amigos verdadeiros? Trocar o amor sincero pela bajulação interesseira? Perder até a capacidade de fazer escolhas que não sejam intermediadas pelo dinheiro, dinheiro, dinheiro, prazer, prazer, prazer?

Me falta, sinceramente, a capacidade de entender a fraqueza de alguém que se arriscar a perder a alma e a paz de espírito em troca de um mundo cafona de abundância e, novamente, prazer. E um mundo conturbado, ainda por cima, cercado pelo sofrimento e pelo medo de acabar, sei lá, suicidado numa cela da PF. Não entendo. Sou meio burro. Não nego e faço questão de continuar assim.

Casinha branca

Mas é aquela coisa, aquela verdadezinha roceira composta em 1979 por Gilson e Joran e que na voz da Maria Bethânia, no disco “Maricotinha Ao Vivo”, ganha uma força e uma beleza que nem te conto. Ou melhor, conto mas não canto, porque sou a pessoa mais desafinada do mundo: cada um tem seu mistério, seu sofrer e sua ilusão.

E, se não entendo, se fico confuso e até um pouco triste, e se acho francamente tola a ambição de Vorcaro & Cia., é porque nasci com esse sonho ridículo de ter na vida simplesmente um lugar de mato verde para plantar e para colher. Ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela para ver o sol nascer.

noticia por : Gazeta do Povo

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