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Tesouro pode fazer atuação extraordinária no mercado de títulos se necessário, diz coordenador

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Helano Dias, afirmou nesta sexta-feira (26) que a gestão da dívida pública busca garantir o financiamento do governo, mas também observa a funcionalidade do mercado, ressaltando que o órgão poderá fazer atuações extraordinárias se necessário.

Em entrevista coletiva, Dias afirmou que o mercado teve “dificuldade técnica” maior no período recente, o que levou o Tesouro a cancelar o leilão de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) programado para a última terça-feira (23).

“A gente continua monitorando o mercado. Se houver alguma percepção de que a gente tenha que contribuir de uma maneira não ordinária… a gente vai informar o mercado”, disse, antes de ponderar que a situação do mercado melhorou nos últimos dias.

Dias afirmou que o Tesouro segue uma espécie de protocolo quando o mercado apresenta volatilidade elevada ou algum tipo de problema, com etapas que não necessariamente precisam ser seguidas em ordem sequencial.

A primeira delas é uma redução do nível de oferta de títulos. A segunda seria o que ele chamou de “oferta de crise”, um lote muito pequeno de títulos para não gerar pressão no mercado.

O terceiro movimento, segundo ele, seria o próprio cancelamento de leilões. Por fim, o Tesouro pode atuar com leilões de compra e venda de títulos ou mesmo apenas recomprando papéis para conferir liquidez ao mercado.

Em março, o Tesouro interviu com força no mercado ao fazer recompras de títulos públicos para reduzir distorções em meio à forte pressão trazida naquele momento pelo início da guerra no Oriente Médio.

O coordenador afirmou que uma série de fatores têm contribuído para uma desempenho técnica pior das NTN-Bs —que pagam aos investidores a variação da inflação mais uma taxa prefixada.

Entre os fatores que tiram a atratividade desse título, segundo ele, está a percepção de que a inflação será controlada ao longo do tempo e a previsão de aumento dos juros nos Estados Unidos.

“A gente tem um nível elevado de reserva de liquidez, que nos dá um grau de tranquilidade”, disse. Segundo ele, isso contribui para que o mercado respire e volte a fluir de maneira normal.

Após as NTN-Bs atingirem remunerações reais superiores a 8% ao ano no período recente, Dias afirmou que o Tesouro atua para aliviar pressões do mercado, mas é apenas um tomador de preços.

“O nível dos juros é uma questão não para o Tesouro, mas uma questão da macroeconomia do país”, disse. Ele afirmou não ter dúvida de que o Brasil pode melhorar em vários aspectos, mas destacou o bom posicionamento do país, citando o nível confortável de reservas internacionais, investimentos estrangeiros consistentes e uma economia que tem surpreendido.

noticia por : UOL

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