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Terminar com o Megadeth tem a ver com uma condição física, diz o líder da banda

Acabar com o Megadeth foi uma decisão 100% relacionada a uma condição física e não ao processo criativo, diz Dave Mustaine, o líder de 64 anos de uma das bandas mais importantes da história da música pesada. No vídeo, o cantor mostra uma veia da mão para a câmera. Conta que um de seus dedos vai aos poucos se curvar para dentro, dificultando tocar guitarra.

“Não sei se você pode ser melhor que o número um. Alcançamos muitas coisas. É ótimo parar no topo, no auge”, afirma o músico, sem falsa modéstia, acrescentando que quer tocar o quanto puder antes de ter que se preocupar de fato com a condição de sua mão. Depois do fim da banda, diz que pretende continuar a praticar quando possível. “Não é que eu nunca mais vá pegar numa guitarra.”

Após um disco recém-lançado e a atual turnê, prevista para durar até cinco anos, os ícones do thrash metal vão dizer adeus a sua longeva carreira de mais de quatro décadas. Antes, tocam mais uma vez em São Paulo —cidade onde já se apresentaram cerca de 15 vezes— no próximo dia 2 de maio, num show no Espaço Unimed, casa onde estiveram há dois anos mostrando hits para uma plateia “eletrizante”, na definição de Mustaine.

É assim que ele descreve o público da América do Sul, uma audiência que o surpreende por cantar até as partes instrumentais de guitarra, não apenas as letras das músicas. No Spotify, São Paulo aparece como a terceira cidade que mais ouve a banda, atrás de Santiago, no Chile, e da Cidade do México, na primeira posição. “Temos noção da nossa base de fãs. O show é para eles”, diz Mustaine.

Para o artista, a banda é um negócio. Ele afirma que o Megadeth pensa no repertório do show de cada cidade com antecedência e tenta adaptá-lo ao público local, pinçando o que vai tocar entre as mais de 200 faixas do seu catálogo. A julgar por apresentações recentes, no palco não devem faltar clássicos como “Hangar 18”, “Symphony of Destruction”, “Peace Sells” e “Holy Wars… The Punishment Due”, além de faixas do disco que saiu em janeiro.

Em “Megadeth”, o último disco da banda, o grupo deu as boas-vindas ao guitarrista Teemu Mäntysaari. Segundo Mustaine, ele foi indicado ao posto pelo antigo dono do instrumento, o brasileiro Kiko Loureiro. Mustaine diz que gostaria que o finlandês tivesse entrado no grupo antes e que ele é um dos melhores guitarristas com quem já tocou, por ter facilidade e fluidez no domínio da guitarra, sem parecer que se esforça ao tocar.

Neste disco, a banda incluiu como faixa extra uma cover de “Ride the Ligthning”, do Metallica, música de 1984 que Mustaine ajudou a compor antes de deixar aquela banda para fundar a sua. Quem acompanha as entrevistas de Mustaine ao longo do tempo tem a impressão de que ele nunca superou o fato de não ter feito parte do Metallica, que se tornou o maior nome do heavy metal mundial.

Tanto que Mustaine incluiu “Ride the Lightning” como a última faixa do último disco do Megadeth. “Achei que seria muito legal fechar o círculo e prestar minha homenagem”, diz Mustaine. “Sempre respeitei James [Hetfield, do Metallica] como guitarrista.” Segundo Mustaine, foi um grande desafio criar a própria versão da canção, um dos clássicos da música pesada. “Aceleramos um pouco. Reforçamos as guitarras e as baterias. Tinha que ficar tão boa, ou melhor, que a original.”

noticia por : UOL

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